músico e poeta. aaaaaaa aaa aaaaaa aaaaa aaaaa aaa aaa aaaa aaaa. vocalista da banda "bidê ou balde".
aaaaaa aa aaa aaaaaa aaa aaaa aaaaaaa aaaaa. pretende lançar seu
primeiro trabalho literário ainda este ano. aaaaaaa aaaaaaa aaaa aaaaa
aaaaaaaa.
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Quanta fome, Margô
- Quanta fome, Margô!
- Desculpa! Me esqueço dos modos e começo a comer como uma esbaforida.
- Não se importe! Dá gosto de ver!
- Eu estava mesmo louca de fome!
- Onde andavas?
- Eu fiquei 42 dias numa fila de banco!
-
Nossa! Uma vez, em 98, naquela época em que a gente sempre levava umas
notas de cinqüenta a mais na carteira, por causa da possibilidade de
encontrar um cara certo pra levar naquele motel que a gente sempre
queria ir – mas que só se podia se fosse com o cara certo, lembra? –
aquele na General Galácio, passando a Fagundes Tort, uma quadra depois
do Master Sports, onde os guris jogavam bola, lembra?! Então, em 98,
quando eu tava naquele fica-não-fica com o Marcinho, mas já tava
começando a suspeitar do lance dele com o Adílsson, eu fui naquele bar
que tinha na Limeira Pedroso, que todo mundo ia, o Madeleine, que a
Renata era promoter – urgh! – e eu peguei um cara, um carinha lá,
Marcos Pantarra, nunca mais vi na vida – ele era daquela agência que o
Paulinho Arco-Íris atendia lá na gráfica, a Macedo-Tirol, que tava tri
grandona na época, com a conta de um empresa telefônica sueca que
estava implementando o celular com sinal digital na Bolívia, lembra?!
Aí arrastei o tal do Pantarra pro tal do motel – ele também tava de
carro, daí resolvemos ir no dele e deixamos o meu no estacionamento do
bar -, mas quando chegamos lá tinha uma fila gigante, com muitos
carros. A princípio rimos da situação, mas lá pelas tantas a coisa
começou a ficar constrangedora, aí nós dois ali no carro e a fila
absolutamente parada, só aumentando – já deviam ter mais uns oito
carros atrás do nosso -, e por causa disso não podíamos dar uma ré ou
manobrar o carro. Eu achei que o melhor era relaxar e tentar que
aproveitássemos ao máximo aquela situação esquisita, e então me atirei
na poltrona no carro, da forma mais sexy e descontraída que podia,
esperando que ele entendesse o que podia significar a minha linguagem
corporal, mas ele era um analfabeto. Ficou lá reclamando da fila, do
mau atendimento, do cara do carro da frente, do cara do carro de trás,
de todas as minas que ele pôde contabilizar na direção (inclusive
contou, e me olhava com uma cara vermelha-fúria dizendo: “Oito minas
dirigindo! Oito minas dirigindo! Numa fila com 22 carros, em oito deles
tem mina dirigindo! Só podia dar merda!”), reclamando e reclamando e
reclamando. Daí eu peguei no sono. Devo ter relaxado demais... Hehehe!
Deu no que deu! Nunca consegui estrear o tal do motel! Faliu, lembra?!
Ou algo do gênero... Rolou numa época a história de que lá tinha sido
cativeiro de um seqüestro, mas aí parece que não era, mas quando
descobriram que não era já era tarde demais e o filme do motel já tava
mais do que queimado, lembra?!
- Pois é! Já eu fiquei 42 dias numa
fila de banco. Quando finalmente cheguei no caixa, tinha esquecido do
que tinha ido fazer lá. O cara me ofereceu um título de capitalização,
pra que eu não perdesse a viagem. Nem fiz o cálculo do rendimento – se
valia ou não a pena -, aceitei na hora, para abreviar o embaraço. Ele
riu e disse pra eu nem me atucanar, que isso tava sendo tri comum
nestes dias de filas de mais de mês. Imaginei que ele risse, na
verdade, de satisfeito com o crescimento das vendas de títulos de
capitalização para abobados que, como eu, após semanas e semanas na
fila, esqueciam pra que diabos tinham entrado nela. Imaginei, chutando
um número na minha cabeça, na comissão que ele ganhava com aquelas
vendas. Tinha mais é que rir mesmo...
- Foda!
- Muito foda!
- Mas tu tomava ao menos uma água?
- Ahan! Tinha um gurizinho que nos trazia água com gás três vezes ao dia!
- Ahn...
- E em que motel rolou aquela história do Adílsson, que tu e o Marcinho tinham ido?
- Que história?
-
Aquela que tu contou! Que o Adílsson perseguiu vocês e foi até a frente
do motel pra ficar gritando: “Marcinho! Eu te amo! Fica comigo! Tu não
gosta dessa mina! Tu gosta é de mim!”...
- Ah, isso foi no Lê Grand Buffé...
- Hahahahaha! Como foi? Ele ficava chorando na janela?
- Hehehe! Pior que sim! Pior é que a gente tinha pego um quarto que dava de fronte pra saída do motel e ele nos viu entrando...
- Que coisa bizarra!
- Já diria o Zezé: “É o amor!”
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escute o poema de carlos carneiro aqui

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