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olá ● o tema deste prefácil paracrítico é a crescente insistência da mente em apreender a realidade, reunindo em si cada vez mais mentiras para se tornar a própria realidade ● trinta em transe ● os sons são os órgãos da alma ● poesia sonora ● cantar silêncios, dizer o inexprimível, fixar vertigens ● clara crocodilo show ● a poesia é a voz dissidente que se insurge contra a superabundância insensata do material impresso ● jogo de pulsações ● é quando o poeta ultrapassa a realidade opressora do livro, proporcionando viagens adjetivas aos ouvidos ● trinta em transe ● a superioridade da prosa sobre a poesia é a mesma superioridade que dois velhos inteligentes ostentam sobre uma bailarina ao vê-la dançar ● cinema falado ● poesia como extensão do corpo, distensão do cosmos ● pois é poesia ● a vida inteira que podia ter sido e que não foi ● poesia totalitária ● a voz da voz que canta, dentro da voz que fala ● trinta em transe ● um poeta não é mais que a sua orelha ● nave vazia ● é quando o artista parece gente ● nervos de aço ● é quando o ouvinte se torna poeta ● a vó do cu é a maionese ● arco que vibra tanto para lançar longe a flecha, como para lançar perto o som ● abravanel laos ● palavras são fósseis vivos; cabe ao poeta reconstituir o animal e pô-lo a cantar ● terra em transe ● perante o poema escrito, a voz do poeta é libertação ● pornografia sancionada ● quintana reaparecendo no fim do corredor ● contém glúten ● a poesia é o sujeito da prosa ● só alegrias ● não há poema em si, mas em mim ou em lá ● paralelo trinta ● a voz humana tanto vibra para lançar perto as palavras, como para lançar longe o som ● winston baker ● poesia são todas as coisas nascidas com asas e que cantam ● batatinha quando nasce ● cada língua tem sua própria estrutura melódico-embrionária; já existe nela, portanto, o germe de uma música que expressa a alma do povo ● charles piercing ● o poeta escreve cego por linhas óbvias ● a vanguarda de viamão ● é sintomático que, na pós-modernidade, poesia e música fossem inseparáveis ● chimia geral ● se alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que deus quis dizer com este mundo ● pasto ao coração ● a única coisa a fazer é tocar um tango argentino ● trinta e três ● a voz articulada do intelecto converte-se em expressão do corpo que sente ● coração de cotonete ● o assassino sabe mais de amor que o poeta ● cof, cof, ei ● a alegria é a prova dos nove ● sobras completas ● a arte é a dimensão anárquica da matéria onírica ● megafone para o mar ● corpo imortalizado em expressão timbrística ● trinta em transe ● corpo materializado em duração melódica ● noigandres ● a poesia é a voz da quarta pessoa do singular ● cabaré voltaire ● nave que vaga, navia naïve ● césar pereira ● enquanto houver poesia não vai haver poesia ● trinta em trâmite ● dissimular o estado de decadência em que chegamos seria o cúmulo da insensatez, pois é na língua, sobretudo, que se manifestam os primeiros sintomas ● ku klux pissalonga ● decididamente a favor do advérbio de modo ● bob é pop ● o verdadeiro rio grande do sul é pernambuco ● poema processo ● as relações naturais e outras tragédias ● algonauta ● só o trabalho sem diversão faz de jack um bobão ● zimzim urallala ● trinta em transe não somente tematiza o tempo no colapso da metafísica que se seguiu à morte de deus como ômega, mas também faz do próprio meio a mensagem, no sentido de que sua função é realizar uma destruição heideggeriana do quadro poético de referência tradicional, concretizando a redução fenomenológica da perspectiva poético-visual mediante a violência da sonoridade plástica, e deixando o ouvinte despido, como kierkegaard, em seu lugar origem, no qual o tempo é ontologicamente precedente ao ser ● zanzibar zimzalla zam ● por que não grandes remessas de sopas de letrinha para as áreas de maior analfabetismo? ● nuestro norte es el sur ● cada um é a sua própria bola de futebol ● trinta em transe ● a minha liberdade termina onde começa ● antidicurvismo ● ave há, mas si na nave vá, só si pá ● martín fierro ● renunciei mil vezes à poesia e voltei a ela mil e uma ● abordagem laxativa ● surf, jiu-jitso, ferveção e muito pedantismo ● tigres tristes ● em vez de representações expressivas de uma substância tida por precedente a eles, os poemas em trinta em transe são agentes ativos em si mesmos, criando novas substâncias e embaralhando outra vez as cartas do destino ● o novo é o óbvio do ovo ● enquanto isso, os sabichões discutem se doce de abóbora não dá chumbo pra canhão ● maurizzio ● colorless green ideas sleep furiously ● nobres klaxons ● a arte é uma incerteza ontológica ● assim na terra ● de pé sobre o cimo do mundo, lançamos ainda mais uma vez o desafio às estrelas ● dá-me os óculos ● hoje não tem fernando pessoa ● take care, tem quem quer ● uma obra só não vale quando cumpre os propósitos do autor ● winterverno ● aqui nós lançamos a âncora na terra gordurosa ● tri em transe ● óleo da melodia barroca que me alimenta ● escuela del charque ● muito menos do que você pensa, muito mais do que você possa imaginar ● verbivocovisual ● a poesia existe nos fatos, o estado de bagunça transcendente ● zaum ● o crítico é mais severo crítico do crítico que o crítico do artista ● trinta em transe ● podes imaginar o que seja um mancebo apaixonado? ● nenhumzinho de nemnada nunca ● beto brant é quem tinha razão, qualquer coisa menos a lucidez, tá ligado? ● muito obrigados ● senhor deus, livrai o godoh do dadá ● aquilo que sobra da plenitude ● a violenta beat do agora-mundo gingada pelo intelectual dançarino ● olé!
fabio godoh & marcelo noah

poeta, artesão e brincadeiro. nasceu em porto alegre. desenvolve palestras, oficinas e
apresentações em escolas, feiras, congressos, praças e eventos diversos. publicou os seguintes livros de poesia: "um pé-de-vento de nome huá", "calcinha rosa na cadeira de balanço", "cambalhota", "as minhocas também amam e mamam", "os dois amigos", "bicho-poesia", "o fazedor de balões", "a magia do brincadeiro", e "a volta do bicho-poesia". confira também a "ilha" do poeta.
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homenagem
coramiravadiaselva
armazenasabotamalandra
listajardinacarrualingua
gem
nem a estação
nem a viagem
a poesia é a paisa
gem
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escute o poema de mario pirata aqui
nasceu em bagé. formou-se em direito, sociologia e política. reside em porto alegre,
onde trabalha como publicitário.
é compositor musical, e possui diversos prêmios como letrista. dentre suas obras poéticas, destacam-se: "mundaréu", "retirantes do sul", "cavalos do tempo", "baile de máscaras", "pirâmide noturna" e "clássicos do regionalismo gaúcho".
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Procura
Eu fui buscar em teu corpo
amoras recém colhidas.
Restou, ardendo nos lábios,
um áspero gosto de vida.
Eu quis deixar em teu corpo
as marcas do meu desejo.
Se estendo as mãos, não alcanço.
Se fecho os olhos, não vejo.
Em teu corpo eu procuro
o desvario dos sentidos.
Por vales e montanhas
venta o vento teus gemidos.
Queria porque queria
desvendar os teus segredos.
A noite me diz: é tarde.
As nuvens respondem: é cedo.
Eu sempre pensei teu corpo
um veleiro sobre as ondas.
Se ouso gritar teu nome
talvez o eco responda.
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escute o poema de luiz coronel aqui
poeta, roteirista, contista, diretor e produtor. ministra oficinas
de roteiro,
é frontman, guitarrista e baixista da banda "musical
panorama". produz roteiros para o "cinema 8ito". é curador do "flo"
(festival do livre olhar). ervstkras ilkv suster pral e locktz ivek
dadada da da da dadada dadadadada.
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estática
parede
asma
mar reto
pernas levemente arqueadas
som do ar entrando áspero
antes daquele silêncio
maldizer das coisas
costas batendo na areia
rápido pra direita
corpo solto
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escute o poema de andré arieta aqui
músico, poeta, cantor e apresentador
de rádio e televisão. é um dos ícones máximos do regionalismo rio-grandense, autor de livros e discos de sucesso, a exemplo de "cevando o mate" e "os teatinos". acompanhou o poeta jayme caetano braun desde o início de sua carreira.
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Madrugada
Levantei
Recém clareava
Sanga da pipa na jarra
Riquezas do dia-a-dia.
Crismei o sonho da lida
Na bacia de água clara
Depois, enxuguei a cara
com toalha de bom dia.
Piso de chão batido
Ritual capricho em baile
Na vassoura de guanchuma.
A porta do rancho aberta
Emoldurando a alvorada
Vejo vultos na canhada
Bebendo o apojo da noite
Nos pastos da madrugada
Secando o silêncio dos mates
No ronco do chimarrão
O choro da acha de lenha
Pôs saudade no fogão.
Consciência que integra a vida
No claro ou na escuridão
Por entre tantas riquezas
Desconheçe a solidão.
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escute o poema de glênio fagundes aqui
poeta, contista, jornalista, roteirista, desenhista,
tradutor e produtor musical.
nasceu em porto alegre. foi o líder do histórico fanzine eletrônico "cardoso online". é autor de "cavernas & concubinas”, e participou das coletâneas "troco", "dentro de um livro", "contos de bolso" e "contos do novo milênio". participou da segunda edição do projeto "na tábua", de paulo scott e fábio zimbres. QUALQUER coisa, clique aqui.
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MUSCULÊUTICA & ESQUELÉTICA
1. Musculêutica
Passo a passo na Praça da Alfândega. Sobrevôo pessoas de sobretudo, passo a passo, desdenhando tudo à volta. Apresso o passo e, sobretudo me ultrapassam. O fim do dia desenhando tudo à volta. No vento, pó pedra e sujeira. Queria estar na Medianeira. Pedra no rosto ainda é pouco. Areia nos olhos vira fogo – se pisco me queimo. Se queimo, me sujo. Se sujo, não durmo. Se não durmo, não como. Se não como passo a vez no tabuleiro de xadrez.
Alguns mudos, de mãos dadas. Trocando apenas Esparta por Atenas – olhares e bofetadas. Folhas verdes levantadas. O som seco das pegadas. Motoboys nas calçadas conversam sobre seu cotidiano. Um se chama Mariano, mas os outros não dão bola. Crianças fogem das escolas e constroem seus castelos nos fliperamas. Dormem algumas em suas camas. Outras tantas nas esquinas.
A grande vitória é não ter vergonha. Nem aquele quando sonha com espartilhos e o aspartame da tua boca. Nem aquela velha louca que às vezes vende incenso. Desperdício é um consenso de quem é pouco exorbitante. Quanta gente ignorante perambula por aí. Distraída pra vida pega um bonde pra Sapucaí. E eu aqui, sozinho na cidade. Mas isso não traz mais nenhum sabor de novidade.
Atravesso meu destino sem carregar nenhum fardo. Nenhum peso me freia, nem um gole me tonteia. Alguns dias me cansam e alguns me cegam. Quantos de vocês me carregam? Quantos não carregariam? Passo a passo continuo. Sigo frio pelo meu canto. Não te encontro, não te tento. Me procuras por enquanto. Mas eu sei que acaba o encanto. Como a água e a guerra fria.
Leva a sério cada linha? Mas que pena, eu diria. Essa trava não permite que tu veja a cor do dia. Mas voltando à vaca fria: não, não, isso não é nada. É apenas poesia.
2. Esquelética
Oh, santo, dai-me forças para esquecer cada flor que roubo dos teus jardins nos bancos dos coletivos. Incentivos que servem os subúrbios distantes onde habitam os meus hábitos e desejos. Dai-me alimentos, sustentos e poucos sustos, que de muitos já estou cheio. Faz-me forte e disposto, subtraia-me os desgostos que se desenham nas tempestades por trás dos montes. Dai-me serenidade nas frontes de batalha, livrai-me da mortalha e dos beijos sem sabor. Dai-me um grito de sorte, um sorriso de morte, alguma coisa sem cor. Algum algo, algum amor.
Oh, grande amigo de horas tristes, rabisca do teu caderno meu telefone e me liga quando eu estiver acordado. Mantém-me sedado e feliz, leva-me pra longe da matriz do meu choro, ensina-me outro nome pra agouro, pra casa não voltes com desaforo. Se me permites te digo: três tigres prum prato de trigo. Matei todos sem muito esforço, para que apareça mais um eu torço – quero ver até onde agüenta, quero ver quantas vezes mais me tenta, o chifrudo. Quero ver se tem nervo e audácia, se não é tudo falácia, mal-cheiro, falta de ter o que fazer. Se tem comigo mesmo tanto tempo pra perder.
Oh, primo, trinta e cinco são meus nomes, não me compres pelo que valho nem encontres comparações. Sue meses de janeiro, nade sempre o ano inteiro mesmo que no inverno te dê frio. Ouve o conselho do teu tio, vai lá e marca o gol, esquece das casas de maio, esquece dos dias sem sol. Olha aquela nuvem lá parada, faz uns três dias que não se mexe: acho que vai chover. Olha aquele cachorro na prateleira, é verde e sanfona, nos vê desconfiado e tem dois pregos na parede. Faça o que eu digo e não ouça mais ninguém, quebre os discos do Engenheiros e vá pra Sananduva, não se atreva a tomar Mirinda Uva, especialmente com cachaça. Não ouça o que eu digo - faça.
Oh, santo, dai-me olhos de aço e pele de seda, falai-me sílabas tônicas sussurradas em ouvidos. Sujai-me borrados de maquiagens doces, suores perfumados e abraços intermináveis. Matai-me batidas cardíacas a mais de cem, dedos pequenos pelas espáduas, chuvas finas nos cabelos e mais nada. Contai meus passos nas escadas, evitai minhas vontades de elevador. Deixai meu verbo bem flexionado sem a ajuda de um professor. Por fim, Porfírio, e a resposta? Ela está só no leitor.
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escute o poema de cardoso aqui
nasceu em porto alegre. publicou três livros de poesia
independentes, participou de diversas antologias e foi premiado em concursos literários. integrou o grupo "vozes da senzala", com leituras de poesia. é formado em letras e ministra oficinas de criação poética. leia mais poemas do diego neste endereço aqui.
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se falasse
como quem desfalecesse
talvez não merecesse
a muda dicção
de quem calasse
se calasse
como quem não esclarece
talvez esfacelasse
o som da voz
de quem falasse
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escute o poema de diego petrarca aqui
escreve contos minimalistas fantásticos e poemas-piada ao melhor
estilo oswald de andrade. no cinema escreveu e estrelou o elogiado curta-metragem "hugo". publica seus textos na internet, dentro do
projeto "nave vazia".
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Poèms de la Merde (fragmento)
Leitura oficialmente realizada em Pernambuco,
em homenagem ao poeta
Último de Azevedo. Abril de 82.
Le Grand Dupré
Mesieur Dupré travaille aus le banc international du Paris.
Mesieur Dupré est un grand dj.
Mesieur Dupré est un homossexuale.
Mesieur Dupré est trés jolie.
Mesieur Dupré... forgot his dog in Chicago.
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escute o poema de patrick matzenbacher aqui
poeta, músico, letrista e crítico de poesia. é autor, entre outros,
de "homem ao rubro", "puya", "kânhamo", "vá de valha" e "confissões
aplicadas". ministra oficinas de poesia e escreve no blog "poesia-pau". integra a banda "os poETs", juntamente com os poetas ricardo silvestrin e alexandre brito.
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Língua imperial mal passada
Escarnecer per parávoas encubertas
Refurtar por meias fintas analfabetas
Indiscretos abertos dígitos que
Tenham ajam dois
Ou mais dous (colhoneira) entendimentos
Para que velido vilagre
Pêra lhe (ho)lo nonão entendam
Ligeiramente entenderem se entendentes
De imediato para que não entesourem
Com lixeireza e vá que encareça
E desy aborreça sem çopegar cabeças
De prego sem cós em cozinha voodoo
Cristas que logo van eno prego
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escute o poema de ronald augusto aqui
escreve poesia e peças de teatro. sua escrita tem fortes recortes
arcaicos tais como os de gil vicente e de poetas provençais, com obras
de grande fôlego. sua temática também caminha por temas
anti-clérico/sociais de alto teor sardônico.
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Fragmento do poema: Uma história ordinária (Aventuras de um mui inadjetivável herói en Terra Brasilis)
Canto II - A musa, esta cadela anciã.
Calem-se e ouçam
Pous trago comigo
Uma vontade mui grande
De ser ouvido
E antes do olvido
É preciso lembrar
Então sigo
Pous não havendo motivo
Tampouco há delito
Em aumentar
O terror e a glória
Deste herói foram
Também pudera
Alvo de um sem número
De silêncios
Tão morto está agora
Começam a arfar
As vozes desinibidas
Para o achincalhar
A sua não passa
De uma história imbecil
Abobalhado quem lê-la
Idiota o editor
E débil quem crê-la
Assim falaram aqueles
Que bem quiseram
Tão dura a sorte
Ainda ouso dizer
Que este herói sem lar
Foi também um homem
Foi também um bravo
E não obstante
Foi também um errante
Cabe de suas palavras lembrar
Para introduzi-lo com esmero
E para soar mais Homero
Calem-se imorais
Que aqui vos fala
O descendente
Do mais sábio dos mortais.
Se não sábio ao menos belo.
Se não belo ao menos bom.
Se não bom vá lá singelo.
E mui amigo companheiro peleador
Não me ovacionam por falta de pudor
Só resta manter-me digno
Deste dom de nobreza vitalício
E erguer a cabeça para que melhor se perceba
Minha silhueta aproximada com a estátua
Grande figura
Figura exata.
(E que bela napa!)
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escute o poema de mariana messias aqui
músico e locutor da rádio ipanema fm. desenvolve projetos ligados ao hip-hop e ao slam poetry. te liga no site do cara!
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a primeira vez
hollywood é muito chata,
porque ela tenta refazer a realidade,
e montar uma indústria de produção em série
para fazer filmes falando sobre a realidade.
mas a realidade é agora, é nesse momento,
e esse momento é único e eu posso
escolher viver ele intensamente
como se fosse a primeira experiência que tenho com alguma coisa na minha vida,
ou deixá-lo pra depois e ensaiá-lo
várias e várias e várias vezes
até esse momento se tornar
totalmente artificial.
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escute o poema de piá aqui
poeta, jornalista e escritor. nasceu em caxias do sul,
e mora em são leopoldo. é autor dos livros "as solas do sol", "um terno de pássaros ao sul", "terceira sede", "biografia de uma árvore" e "o amor esquece de começar". além disso, carpinejar é responsável por um dos blogs mais revolucionários da pós-literatura brasileira.
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O que uma mulher quer?
Uma mulher não quer que o homem fique perguntando toda hora o que ela quer. Ela não quer ser definida, mas compreendida. Não pretende discutir relacionamentos no fim da noite, mas os filmes que ainda vai assistir, as expressões que ainda vai aprender. Uma mulher escolhe inúmeras vezes a roupa não porque é volúvel ou tem dificuldades de decisão, mas para ver seu corpo em seqüência. As roupas são o espelho, o espelho não é o espelho. O que a mulher quer está longe de significar um controle remoto, ela deseja que seus ouvidos sejam rezados com insistência, em voz e vela baixas. Ela deseja que o homem adivinhe seu desejo. Que fale palavras rudes com ternura, que fale palavras ternas com violência. Que a paixão seja inventada, não datilografada em sinais e segunda via. Porque quando uma mulher goza sai de seu corpo, o homem fica em seu corpo a assistindo. O que um mulher quer é visitar a mãe sem medo da mãe. Falar com o pai sem medo do pai. A mulher quer a inocência do medo da infância. O que uma mulher quer é uma piada que a faça rir bonita, não uma piada que a faça rir de qualquer jeito. O que uma mulher quer é que o homem feche a porta de noite para ela abrir de manhã. Ela quer ter um filho para não se matar de amor por uma única pessoa. Uma mulher quer a esperança de não ser ela, ao menos mensalmente. Ela quer falar com as amigas o que um homem não sabe ouvir. Ela não quer que o homem mude de assunto porque não o interessa. Quer que o homem entenda que nem sempre ele é seu assunto preferido. Ela quer dançar para outros homens para chamar o seu para perto. Ela quer dançar sem pensar que dança. Uma mulher quer ser restituída de seus erros, quer que acreditem nela quando mente, que duvidem dela quando fala a verdade. Uma mulher quer percorrer a saudade e não se abandonar. Uma mulher quer Deus estendido como uma praia vazia. Uma mulher quer ser perfeita dentro de suas imperfeições, detalhista em suas expedições pelas sobrancelhas. Uma mulher quer conversar para se perseguir. Quer ser olhada nos olhos, na cintura dos olhos. Quer que a janela se incline como um girassol. Quer ser a paisagem de sua cidade à noite. Quer ir vivendo o que não entende. Quer dizer o que sofre para não sofrer do mesmo jeito. Uma mulher quer descer do mundo em movimento. Ter sonhos eróticos para embaralhar as lembranças da semana anterior. Criar uma outra mulher dentro de si que a contraponha. Que seja legível como um pássaro no escuro, um rio no escuro, uma fruta na água. Uma mulher quer se sentir pressentida ao andar de costas, nunca chamada ou assobiada. Uma mulher quer descansar com afeto, sem intenções outras, ter os cabelos alisados e um colo, para perdoar o dia. Ela quer que o homem a ajude a enterrar o passado com direito a uma cruz e um nome. Que a ajude a desenterrar o futuro. Ela quer andar no mistério, mas de mãos dadas. Ela quer ser surpreendida com um beijo nos ombros, agradecer um espanto. Ela quer que a felicidade não seja permissão. Ela quer conferir se tudo vai dar certo para errar com vontade. Ela quer descobrir o que a vida quer dela nem tarde ou cedo demais. Ela quer que o homem feche as antigas relações e os frascos do banheiro. Uma mulher não quer que o homem fale por ela, como eu tentei fazer.
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escute o poema de fabrício carpinejar aqui
poeta e contista. nasceu porto alegre. mais conhecida por "cubas",
continua a levantar bandeira de "poetinha concretina", escrevendo
poemas transparentes pela internet afora. participa ativamente de
saraus, furdunços culturais e amenidades anti-socias, em busca de
descobrir pessoas prontas a literariar. atualmente, está se graduando
em letras, e tem por atividades uma bolsa na área de pesquisa em
literatura brasileira e ministra aulas em curso pré-vestibular.
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A Posse Da Palavra
Possuí-la até desverberá-la
Possuí-la até dessujeitá-la
Possuí-la até desaprendê-la
Ao avesso arraste-a.
Arranque lhe a pronúncia
Arrebente lhe a caligrafia
Esprema lhe o sentido
Bata em seu cunho vernáculo
Tire lhe a multiplicidade de palavra
Ao avesso arraste-a.
Sem violá-la sem traí-la
Vista-a com abandono e silêncio
Libertamente despalavreando-a:
A posse da palavra pela palavra.
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escute o poema de cristiane cubas aqui
nasceu em porto alegre. escreveu
"ainda orangotangos" e integrou a coletânea "os cem melhores contos brasileiros do século". sob o pseudônimo de "elrodris", publicou "histórias curtas para domesticar as paixões dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros". em 2005, lançou o romance "voláteis".
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Se o mundo é redondo
Escurinho aceitável, espremido, falei mais fácil, enquanto dobrava em ferro quente meu pichain. Sou um fingido, atado em pele adequada, disfarçado, mas de um preto sem fim.
Alvo resignado da generosidade racista, um dia escapo do peso dessa cor dócil, amaldiçoando a alegria dessa fantasia, rasgando o afago de quem não me reconhece na gentil platéia do mundo redondo, para ser mais um valente de Zumbi.
Pois, inconveniente, vou ser mais um macaco assim. Se calado, ainda disfarçado, ai de mim!
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escute o poema de paulo scott aqui
poeta minimalista plurimidiático, com forte influência mística
e pop-publicitária. desenvolve atividades criativas em inúmeras frentes, entrando e saindo de absolutamente todas as estruturas. participou do "congresso de poesia totalitária algonauta
navepoesia galacto-canibal", e vem publicando seus poemas na internet. é o líder do projeto "nave vazia".
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vida
minha diva
vida
minha dúvida
vida
minha dádiva
vida
minha divina dívida
com o nada
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escute o poema de joão mognon aqui
mais conhecido como "o dadaísta do bom fim", nasceu em montevidéu mas mora em porto alegre, onde
sobrevive
em meio a ostensiva vadiagem da avenida osvaldo aranha,
escrevendo poemas situacionistas e fazendo política literária na
lancheria do parque. transa gonzojornalismo neoísta e poesia de
retaguarda, tendo criado e desenvolvido diversos anteprojetos nessas
áreas, entre eles, o "congresso de poesia totalitária algonauta
navepoesia galacto-canibal", o enigmático programa de rádio "clara
crocodilo show", além de diversas atividades ligadas ao marketing
nonsense. poeta em migalhas, cronista do absurdo, contista
fragmentário, godoh tem se dedicado ultimamente a empregos
não-literários, como a pós-literatura e a produção de conteúdos para novas mídias (prefácil),
atuando principalmente na rádio ipanema fm, na revista cidade b, e em seu projeto
estético-cultural chimia geral.
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a estética do cio
poeta
se queres confiar no poema
esquece as palavras
porque as palavras
não têm palavra
encare o poema
como um problema venéreo
pois com as palavras
ciumento poeta
só há amor no adultério
com as palavras não tem papo
isso é fato
e nem nexo
porque o poema
casto poeta
é um estupro
sem sexo
portanto
se queres cumprir tua pena
de poeta
perdoe as palavras
libidinosas e reles
pois as palavras
profundo poeta
são como as flores
sem alma
só pele
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escute o poema de fabio godoh aqui
tiago rangel pinto é músico e produtor musical. sempre à procura de sonoridades inusitadas.
é autor de dois projetos de música experimental: "OssomossO", com fortes referências ao "idm" e ao "indie eletronic" alemão, e "peixe-morto ao avesso", no qual cria suas músicas em um gameboy, dando uma textura "lo-fi" ao trabalho, que tem como principal referência trilhas de videogames 8 bits. esta é a sua estréia em poesia sonora.
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escute o poema de OssomossO aqui
Poèms de la Merde (fragmento)
Leitura oficialmente realizada
em Venancio Aires. Março de 82.
La Merde
La merde, la merde
Qui est que c’est la merde?
Je m apelle Jean
Tu ta pelle Pierre
Dien, Pierre
Qui est que c’est la merde?
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escute o poema de patrick matzenbacher aqui
músico, poeta e compositor. já lançou quatro discos, em carreira solo e
com as bandas "expresso oriente" e "cowboys espirituais",
aventurando-se também como ator em três longas e um curta, em programas
de TV e, principalmente, no rádio, onde trabalhou uma década como
produtor e locutor da ipanema fm. lançou, em 2006, seu livro "radio
cool", que reúne pequenos poemas em prosa e fragmentos poéticos.
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Quando se entra no jogo, quando os primeiros acordes são do tamanho do mundo, quando a estrada é tão jovem... Você jamais pensa que não será do Olimpo um dos eleitos. Quando brilham as luzes do palco com spot lights, camarins e hotéis. Nada detém o vôo do sonho, que da música virá a fama, que da fama virá a grana e que da grana virá a ventura. E a aventura trará o amor. Mas se você não conseguir, o exílio será o seu lugar. Lembrando das nuvens daquela cidade. castelos de gelo levando pra eternidade, as tardes e garagens.
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escute o poema de julio reny aqui
nasceu em porto alegre, e fez sua carreira profissional na área de propaganda e publicidade. publicou os seguintes livros: "strip-tease", "meia noite e um quarto", "persona non grata", "de cara lavada", "poesia reunida", "geração bivolt", "topless" e "santiago do chile". seu livro de crônicas "trem-bala” recebeu adaptação para o teatro.
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Você bem que podia ter surgido na minha vida
vinte anos atrás, quando eu ainda tinha planos
quinze anos atrás, quando eu estava me formando
onze anos atrás, quando eu morava sozinha
dez anos atrás, quando eu ainda era solteira
seis anos atrás, quando eu ainda estava tentando
dois meses atrás, quando sobrava alguma força
ontem à noite eu ainda estava te esperando
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escute o poema de martha medeiros aqui
há muito tempo a música o movimenta. a canção foi para ele a via de expressão máxima
entre música e poesia. a sonoridade das palavras, as imagens embaladas pelas ondas de som, o ritmo e a intensidade que o som oferece ao teor da palavra. como músico e compositor, participou de muitos festivais com canções de sua autoria, e há anos acompanha os poetas fabio godoh, marcelo noah e diego petrarca com trilhas de diversos gêneros. lançou-se como poeta na exata fronteira em que a palavra se rende ao embalo dos sentidos. a musicalidade implícita nos significados, a textura do fluxo que se sente ao ouvir um poema.
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DIGO
E pinto um som em sólido juízo
Da boca, a letra à língua escapa
SIGO
Navego só um verbo intransitivo...
Um gole de diálogo uníssono
Encomendar seu significado
Assopro mais um verso distraído
Acumular o vago precipício
Por onde tento dizer e caio
Guardado em pensamento diluído
Transformo o silêncio em hálito
Preciso
te entregar meu mais preciso
Um vidro em movimento intacto
RITMO
Meus lances e nuances sem indícios
E sigo em desalinho sensitivo
E por descuido
Entro e saio
Enxergo meu lugar em mim
possível
No Impossível surdo me distraio
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escute o poema de felipe vargas aqui
poeta, músico, letrista, produtor cultural e editor da "ameopoema".
nasceu em porto alegre. em 1986, publicou "visagens". em são paulo, juntamente com o poeta e jornalista fred maia, participou ativamente da "edições nômades", editora que publicava poemas em vários suportes (livro, pôster, cartão, postal, camiseta) usando a técnica da gravura serigráfica. publicou uma série de jornais poéticos em 1990, 1991 e 1992. integra a banda "os poETs", com os poetas ronald augusto e ricardo silvestrin.
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de onde vem este gosto de vulva em minha língua
essa fala, cheiro de uva que a chuva empresta à vinha
aroma de Eros que a letra exala, esse fato
gozo de favo a festa que se derrama enquanto falo
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escute o poema de alexandre brito aqui
poeta, publicitária e jornalista. nasceu em porto alegre. autora dos seguintes livros de poemas: "eu versos eu", "sem vergonha", "mundo da lua" e "porno pop pocket". tem mais, conheça o mundo da paula e descubra.
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Estou nua e ajoelhada
Esperando que ele agarre os meus cabelos
E me puxe para o meio de suas pernas
Como se ele quisesse me parir pra dentro
Estou nua e ajoelhada
Como quem vai rezar
Ou pagar uma penitência
Como quem aguarda do santo um milagre
Ou do padre uma benção
Estou nua e ajoelhada
Totalmente dominada
Na boca uma mordaça
Na alma uma puta de praça
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escute o poema de paula taitelbaum aqui
poeta e ensaísta. nasceu em santa maria. formou-se em teologia
e
doutorou-se em filosofia. seu primeiro livro de poesia, "a surpresa do
ser", foi publicado em 1967. de 1978 a 2000 publicou vários livros de
ensaios, entre os quais "escultores contemporâneos do rio grande do
sul" e "como apreciar a arte?". sua obra poética inclui "a imploração
do nada", "corpo a corpo", "o rumor do sangue", "o moinho de deus" e
"a dança do fogo".
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Para Ela
Os nossos rostos serão os mesmos, porém tu
não responderás ao espelho que te interroga.
As nossas mãos serão as mesmas, porém tu
não apanharás, do mesmo jeito, uma xícara.
Os nossos olhos serão os mesmos, porém os teus
olharão para mais longe, para um outro azul.
Os nossos pés serão os mesmos, porém tu
caminharás vacilante, apoiada numa bengala.
Vendo-nos a sós, alguém dirá: “Estão juntos!”
Outros exclamarão: “O amor é um milagre...”
Nossos cabelos brilharão da mesma cor do leite,
e os nossos corações saberão mais coisas, juntos.
Eu te olharei, surpreso, como quem olha um rubi:
tu me olharás, serena, como quem fixa um leão.
Neste imóvel minuto, o mesmo riso brincará
nos teus lábios e nos meus, como um pássaro perdido.
Talvez já não tenhamos a mesma paixão selvagem,
talvez os nossos corpos não ardam das mesmas chamas.
Mas será uma alegria ver os troncos reverdecerem,
e a solidão convertida em trigal que o vento agita.
Enfim, eu te direi: ”Valeu a pena! Foi uma aventura.”
Responderás, ainda mais bela: “Quem imaginaria?”
Riremos novamente. E os amigos dirão:
“Como são jovens! Acordam, sempre, do mesmo sonho!”
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escute o poema de armindo trevisan aqui
poeta, contista e apresentador de televisão. em 2004 lançou seu primeiro livro, "auto", e em 2006, "o vampiro".
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a verdadeira história do amor
a verdadeira história do amor
é total desencontro
não é novela
com final feliz
tem a ver com a rima
que termina em dor
tem a ver com a sina
de perder o amor
a verdadeira história do amor
é um tic-tac fora de ritmo
a verdadeira história do amor
é não saber o signo
a verdadeira história do amor
é um meio, não é um efeito
a verdadeira história do amor
é o perfeito
(com um pequeno defeito)
já diziam os sábios
poetas e sádicos
a verdadeira história do amor
é felicidade ao contrário
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escute o poema de leo felipe aqui
nasceu em porto alegre, mas mora em guaíba. é bacharel em letras e
professor de literatura brasileira. recebeu diversos prêmios
literários, entre eles, o prêmio guimarães rosa, em 1994, e o prêmio
luiz vilela. foi finalista do prêmio jabuti, em 2001. alcançou o
primeiro lugar no concurso nacional de contos josué guimarães, em 2001.
é a sua estréia no gênero poesia.
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Vizinha
Toda a vez que ela pedia pão e leite
algo como um copo d'água
fazia globo da morte na tampa à rosca da língua.
A manhã já havia se equilibrado
mas coitada da manhã
e ela pendurando as compras num caderno
que no fim do mês eu pago.
Quando ela vinha com o peixe
enrolado num jornal
era imaginar que aquilo enrolado no jornal
era peixe
para começar a senti-la esquentando o umbigo
(em fogo baixo
senão queima).
Depois, era à tardinha
e ela varria os fundos de casa
e havia vento e folhas
e cabelos como na metamorfose da mulher-gorila
e tudo porque um seio.
E era imaginar assim assim,
e já ia ela colhendo a trévoa
que o pomo de Adão recita.
E se anoitecia e ela vinha à janela
fechar a janela
valia a pena ir até o fim da rua
e depois voltar pra casa
imaginando que o copo d'água
que ela levava pro lado da cama
era para alguém beber depois da reza.
E quando ela apagava a luz,
valia a pena no escuro
imaginar uma porção de coisas
como por exemplo um criança que se afoga.
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escute o poema de altair martins aqui
Poèms de la Merde (fragmento)
Leitura oficialmente realizada
em Ciudad del Este. Fevereiro de 81.
Buffet Saint Etienne
Le cocô veni du bumbum.
Le xixi veni du pipi.
Bumbum...
...Pipi
Cocô...
...Xixi
Bon Apetit!
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escute o poema de patrick matzenbacher aqui
poeta e professor universitário. publicou os seguintes livros:
"poemas podres", "caderno globo 33" e "tango da independência".
participou da "antologia do sul” e da antologia "poesia fora da
estante".
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Barroquismo
Quem é o amante, quem o amador ?
Eu me divido no que é indivisível.
Oponho o branco opaco ao branco níveo
como se preto-e-branco contra a cor.
Até no meu amor por ti contrasto,
tu feia em coisa alguma, eu nada belo;
ora te beijo ardente, ora sou casto,
ora sou só ciumento, ora um Othelo.
Tu vês, eu me critico e sou poeta,
Como se fosse coisa diferente
Plantar o cedro e reduzi-lo a toco.
Barroco sou, barroco vou, barroco
Fico porque é o estilo do demente,
Daquele que despreza a linha reta.
Mas se o universo é curvo e tem idade,
Encontramos verdade no que é turvo.
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escute o poema de paulo seben aqui
poeta, professor de literatura e publicitário. editor da "ameoq" (ame o poema editora). integra o grupo musical "os poETs".
publicou os seguintes livros: "viagem dos olhos", "bashô um santo em
mim", "o baú do gogó", "quase eu", "palavra mágica", "pequenas
observações sobre a vida em outros planetas", "é tudo invenção", "ex,
peri, mental" e "o menos vendido".
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gatas
no cio
psiu!
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velhinha na janela
todo mundo que passa
é visita para ela
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no mesmo galho
uma formiga a passeio
outra a trabalho
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longo amarelo
do trigo só digo
farelo
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velhas fotos
descubro que te amo
desde pequeno
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mestre, ensinai
o caminho
do haicai
o mestre
não disse
um ai
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escute o poema de ricardo silvestrin aqui
músico e poeta. aaaaaaa aaa aaaaaa aaaaa aaaaa aaa aaa aaaa aaaa. vocalista da banda "bidê ou balde".
aaaaaa aa aaa aaaaaa aaa aaaa aaaaaaa aaaaa. pretende lançar seu
primeiro trabalho literário ainda este ano. aaaaaaa aaaaaaa aaaa aaaaa
aaaaaaaa.
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Quanta fome, Margô
- Quanta fome, Margô!
- Desculpa! Me esqueço dos modos e começo a comer como uma esbaforida.
- Não se importe! Dá gosto de ver!
- Eu estava mesmo louca de fome!
- Onde andavas?
- Eu fiquei 42 dias numa fila de banco!
-
Nossa! Uma vez, em 98, naquela época em que a gente sempre levava umas
notas de cinqüenta a mais na carteira, por causa da possibilidade de
encontrar um cara certo pra levar naquele motel que a gente sempre
queria ir – mas que só se podia se fosse com o cara certo, lembra? –
aquele na General Galácio, passando a Fagundes Tort, uma quadra depois
do Master Sports, onde os guris jogavam bola, lembra?! Então, em 98,
quando eu tava naquele fica-não-fica com o Marcinho, mas já tava
começando a suspeitar do lance dele com o Adílsson, eu fui naquele bar
que tinha na Limeira Pedroso, que todo mundo ia, o Madeleine, que a
Renata era promoter – urgh! – e eu peguei um cara, um carinha lá,
Marcos Pantarra, nunca mais vi na vida – ele era daquela agência que o
Paulinho Arco-Íris atendia lá na gráfica, a Macedo-Tirol, que tava tri
grandona na época, com a conta de um empresa telefônica sueca que
estava implementando o celular com sinal digital na Bolívia, lembra?!
Aí arrastei o tal do Pantarra pro tal do motel – ele também tava de
carro, daí resolvemos ir no dele e deixamos o meu no estacionamento do
bar -, mas quando chegamos lá tinha uma fila gigante, com muitos
carros. A princípio rimos da situação, mas lá pelas tantas a coisa
começou a ficar constrangedora, aí nós dois ali no carro e a fila
absolutamente parada, só aumentando – já deviam ter mais uns oito
carros atrás do nosso -, e por causa disso não podíamos dar uma ré ou
manobrar o carro. Eu achei que o melhor era relaxar e tentar que
aproveitássemos ao máximo aquela situação esquisita, e então me atirei
na poltrona no carro, da forma mais sexy e descontraída que podia,
esperando que ele entendesse o que podia significar a minha linguagem
corporal, mas ele era um analfabeto. Ficou lá reclamando da fila, do
mau atendimento, do cara do carro da frente, do cara do carro de trás,
de todas as minas que ele pôde contabilizar na direção (inclusive
contou, e me olhava com uma cara vermelha-fúria dizendo: “Oito minas
dirigindo! Oito minas dirigindo! Numa fila com 22 carros, em oito deles
tem mina dirigindo! Só podia dar merda!”), reclamando e reclamando e
reclamando. Daí eu peguei no sono. Devo ter relaxado demais... Hehehe!
Deu no que deu! Nunca consegui estrear o tal do motel! Faliu, lembra?!
Ou algo do gênero... Rolou numa época a história de que lá tinha sido
cativeiro de um seqüestro, mas aí parece que não era, mas quando
descobriram que não era já era tarde demais e o filme do motel já tava
mais do que queimado, lembra?!
- Pois é! Já eu fiquei 42 dias numa
fila de banco. Quando finalmente cheguei no caixa, tinha esquecido do
que tinha ido fazer lá. O cara me ofereceu um título de capitalização,
pra que eu não perdesse a viagem. Nem fiz o cálculo do rendimento – se
valia ou não a pena -, aceitei na hora, para abreviar o embaraço. Ele
riu e disse pra eu nem me atucanar, que isso tava sendo tri comum
nestes dias de filas de mais de mês. Imaginei que ele risse, na
verdade, de satisfeito com o crescimento das vendas de títulos de
capitalização para abobados que, como eu, após semanas e semanas na
fila, esqueciam pra que diabos tinham entrado nela. Imaginei, chutando
um número na minha cabeça, na comissão que ele ganhava com aquelas
vendas. Tinha mais é que rir mesmo...
- Foda!
- Muito foda!
- Mas tu tomava ao menos uma água?
- Ahan! Tinha um gurizinho que nos trazia água com gás três vezes ao dia!
- Ahn...
- E em que motel rolou aquela história do Adílsson, que tu e o Marcinho tinham ido?
- Que história?
-
Aquela que tu contou! Que o Adílsson perseguiu vocês e foi até a frente
do motel pra ficar gritando: “Marcinho! Eu te amo! Fica comigo! Tu não
gosta dessa mina! Tu gosta é de mim!”...
- Ah, isso foi no Lê Grand Buffé...
- Hahahahaha! Como foi? Ele ficava chorando na janela?
- Hehehe! Pior que sim! Pior é que a gente tinha pego um quarto que dava de fronte pra saída do motel e ele nos viu entrando...
- Que coisa bizarra!
- Já diria o Zezé: “É o amor!”
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escute o poema de carlos carneiro aqui
poeta, jornalista e tradutor. nasceu em passo fundo, mas espalhou a sua poesia pelo mundo, like a rolling stone. morou na bahia nos anos sessenta, e teve envolvimento com o grupo que viria a desenvolver o movimento tropicalista. foi para londres, em 71, onde desenvolveu um projeto de escrituras de poemas no asfalto, antecipando a estética do grafitti. participou de diversas antologias e publicações em veículos da grande imprensa.
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Nua debaixo do casaco
Talvez ela estivesse nua
Enquanto seu corpo suava
Por debaixo do casaco de couro preto
Uma camisa de seda, meias e sandálias
De sua boca saiam todos os prazeres
Capazes de apagar a mancha de um desgosto
E de sua boca saía um rosto
E de seus lábios saía um gosto
E de sua pele um sal doce de mel
Não havia na noite outro rosto
Que não fosse de um anjo torto
E ainda não havia a marca que eu deixara
Desde o final da madrugada
Enquanto seu corpo todo amava
Por debaixo de um lençol azul claro
Uma colcha de retalhos, sedas, cigarros
De seu sexo saía ferro em brasa
Prováveis de se desfazer em prazer
E de seus seios brotavam duas duras pontas
E de seu ânus um movimento elegantemente
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escute o poema de roberto justi (bocajão) aqui
é poeta, xamã e artista plástico. mora em porto alegre e desenvolve uma poesia ligada à tradição de isidore ducasse. tem um livro pronto, chamado "maldoror rindo", no qual passeia originalmente do surrealismo à poesia concreta. te liga no site do artista: ruriak.
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ovo
pediram um poema que fosse duro
como uma rã de pedra
e que expelisse uma gosma de merda
verde, indo bem fundo
na captura do Verbo incubo
isto encheu-me de muito nojo
ver deus salpicado como um polvo
e pecando e peidando e pisando
em nossas cabeças de ovo podre
isto encheu-me de muito nojo
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escute o poema de rodrigo uriartt aqui
poeta e filósofa. publicou seu primeiro livro de poemas, "desconjunto", em 2002, com prefácio de jane tutikian. é mestre em literatura. em 2000, promoveu saraus em bares e escolas de porto alegre. em 2002, fez parte dos grupos "teia de poesia" e "vozes da senzala". escreveu ensaios sobre filosofia e literatura para diversas revistas. atualmente, participa de projetos ligados à literatura em florianópolis.
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O silêncio completo.
O silêncio surdo das comunicações telepáticas.
O silêncio transido dos mortos.
Nenhum som, nenhum prurido.
O silêncio dos papéis em branco,
Das cédulas guardadas na gaveta,
Das meias de nylon, das meias-calças, dos sutiãs apertados sob a blusa.
O silêncio do quarto de dormir da avó que morreu.
O silêncio dos filhos que partiram,
E que não voltem.
O silêncio das mobílias, dos depósitos.
Todas as portas e janelas fechadas.
Nenhum aparelho ligado.
Nenhum telefone.
Nenhum radar, nenhum cão.
O silêncio completo a ponto de ouvir
As lâmpadas elétricas.
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escute o poema de telma scherer aqui
escreve poemas de forte matemática pós-contemporânea, perpassada por um
trabalho aditivado de elementos visuais
encontrados no texto escrito. adepto do postulado do ecletismo radical, suas referências passam da poesia tensionada de francisco alvim à linguagem pop-publicitária de paulo leminski. publicou artigos no brasil, estados unidos e alemanha e participou de projeto de pesquisa sobre poesia experimental e arte de vanguarda junto à ufrgs. foi um dos irresponsáveis pelo "I congresso de poesia totalitária algonauta navepoesia galacto-canibal", bem como do revolucionário programa de rádio "clara crocodilo show". atualmente mantém atividades mais-que-literárias junto ao grupo "nave vazia" (contém glúten) e à rádio ipanema fm (prefácil - vencedor do prêmio açorianos de literatura 2006).
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escute o poema de marcelo noah aqui
Poèms de la Merde (fragmento)
Leitura oficialmente realizada
em Porto Alegre. Abril de 82.
Qui est que vous faire, saloud?
Rodolphe: completement imbecile.
Antoniette: absolute prostitute.
Alphonse: la chanson infinite.
Infinite imbecilitè, non?
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escute o poema de patrick matzenbacher aqui
beto deschamps nasceu em blumenau, e é professor de literatura brasileira e francesa. seu ideário estético estabelece vínculos com a agilidade da publicidade, com a linguagem cinematográfica e, principalmente, com alguns nomes da música brasileira, como cazuza e arnaldo antunes. procura elaborar uma poesia marcada pela musicalidade singular da oralidade popular. salvo pelas letras das canções que compôs, jamais publicou.
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Prefácio desenteressadíssimo
Vai tomar no teu cu leitor!
Tu e a tua tirania.
Tu, tua tirania e a tirania do mercado consumidor.
Tu, tua tirania, a tirania do mercado consumidor, e a mais tirana das tiranias: a tirania da crítica funcionária pública com a chancela da Secretaria do Recalque e da Falta de Bom Humor.
A chancela da incapacidade do riso inteligente,
Para quem, covarde, afastou-se da possibilidade do soco
E exalta-se de haver fugido da possibilidade do soco.
Saudades dos dias em que me nutria da ração insossa da minha covardia...
Tu não entendes a minha ironia, leitor.
Nem adianta tentar,
Inútil tentar.
Tu não entendes a minha ironia.
Ela é cáustica.
Ela é ácida.
Mais afiada do que mil machados cegos empilhados,
Porque me ironiza a mim mesmo, leitor.
Nem a mim ela perdoa, essa miserável ironia.
É a mim que ela ironiza...
E,
Contudo,
Ela,
Só,
Me satisfaz.
À distância de tudo e de todos, minha ironia vira minha companheira.
E corta.
A mim mesmo ela corta.
Enquanto o fio afiado fica frio,
Filtro do riso palhaço um make-up indecente, mas sempre presente pra quem tem necessidade de um disfarce.
Tu, leitor, tão conhecido, tão cheio de amigos;
Tenta tu, leitor, tenta!
Não adianta nem tentar.
Estou te avisando.
Só pra ti tentar, estou te avisando que nem adianta tentar, leitor.
Deixa esse texto dormir o sono defunto daqueles cadáveres sem ambições literárias.
Um defunto tem mais o que fazer.
Um defunto está livre de vaidades.
Vai ler a bíblia.
Vai ler a Ilíada,
A Odisséia.
Vai ler revistas de fofocas da vida de ricos e famosos,
Mas deixa em paz esse texto.
Vai ler bula de remédio de faixa preta pra aliviar tua insanidade,
Vai ler catálogo telefônico,
Vai ler obituário de jornal, leitor,
Lê obituário de jornal.
Teu nome deve estar lá.
Tu morreu e nem te avisaram, leitor.
Telefona, leitor cretino,
Vai ver televisão, leitor cretino,
E deixa esse texto, leitor cretino,
Poupa esse texto, já tão cretino,
Poupa esse texto do excesso de peso da tua cretinice, leitor.
Vai ler placa de trânsito.
Ou melhor.
Faz melhor, leitor.
Melhor ainda.
Não lê, leitor.
Não lê.
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escute o poema de deschamps aqui
guilherme floco mendiccelli nasceu em porto alegre. formou a única banda que concordava sempre com suas opiniões: "o projeto floco". nessa época, ele fazia muito barulho, era vidrado em varèse e stockhausen. canalizou a poesia que vinha inerente à sua existência em direção ao barulho, flertando com os movimentos poéticos mais vanguardistas, como o futurismo, o barulhismo e a poesia sonora. o projeto floco lançou seu primeiro disco, "obras incompletas", em 2004.
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Diufvsv Vi Ieissif Vsfi Svefvsv
Pim Bu eéra eéra eéra
Pim Bu eéra eéra eéra
Pim Bu eéra eéra eéra
Pim Bu eéra eéra eéra
Bunts Ba Wri I
De Ne tkhuwra di orãm
Bunts Ba Wri I
De Ne tkhuwra di orãm
Kéa Txhé Kha Bum Bá Txhé Kha Bum Bá
Kéa Txhé Kha Bum Bá Txhé Kha Bum Bá
Diei Dió Diufvsv Vi Ieissif Vsfi Svefvsv
Txu Txu Qemplembohihos
AAAAAAAAAAAAAA
aaaaaaaaaaaaaa
iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
eeeeeeeeeeeeee
a aaa aaa aaa
aaaaaaa
bum
Pim Bu eéra eéra eéra
Pé pépépépépépépépépépépépé Pa
Pé pépépépépépépépépépépépé Pa
tseimutseimutseimutseimu
tseimutseimutseimutseimu
Kéa Txhé Kha Bum Bá Txhé Kha Bum Bá
Kéa Txhé Kha Bum Bá Txhé Kha Bum Bá
Diei Dió Diufvsv Vi Ieissif Vsfi Svefvsv
Pim Bu eéra eéra eéra
Txu Txu Qemplembohihos
AAAAAAAAAAAAAA
aaaaaaaaaaaaaa
iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
eeeeeeeeeeeeee
a aaa aaa aaa
aaaaaaa
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escute o poema de o projeto floco aqui
responsável pelo projeto gráfico do disco,
camila schenkel foi proprietária da "casa torta", um dos mais badalados ateliês da cidade baixa. neste ano de 2006 passa a ter suas obras reconhecidas, tendo sido a grande vencedora do "19° salão jovem artista" com sua composição chamada "linha de trabalho II".
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organização, conceito e produção executiva: fabio godoh e marcelo noah.
núcleo de criação: fabio godoh, felipe vargas, marcelo noah e joão mognon.
projeto gráfico: camila schenkel. fotografias do livro-objeto através, de marcelo noah, apresentado na primeira mostra algonauta de poesia totalitária, out. 2003.
mixado por thiago rangel pinto, 4nazzo e bruno suman. masterizado por 4nazzo. gravado na loopreclame por thiago rangel pinto e 4nazzo.
todos os fonogramas incluídos sob licença. todos os poemas são de autoria dos respectivos intérpretes/poetas.
loop discos
dir. artística edu santos e 4nazzo
patrocínio: