Esta semana, o Prefácil orgulhosamente apresenta uma nova leva dos celebrados Poems de la Merd, do poeta Patrick Matzenbacher. Numa parceria NaveVazia-Ipanema FM, conseguimos reunir o poeta e o mito Tiozinho da Ipanema em uma série de registros inéditos e triunfantes dos pop-poemes du merd; que já estão singrando as ondas radiais da cidade de Porto Alegre.
Um dos grandes responsáveis pelo sucesso de vendas do disco Trinta em Transe em 2006, Patrick carnavaliza todos os sentidos e aponta uma nova direção com a alquimia da sua linguagem. Um Rimbaud subtropical, que, com meia dúzia de palavras e duas piscadelas, se transforma numa espécie de guerrilheiro das fronteiras conceituais do mundo pós-contemporâneo.
Entretanto, com este encontro histórico entre Patrick e Tiozinho, um número maior de pessoas poderão identificar o que já era o óbvio do ovo: uma nova virada estética se anuncia. Para os que não estavam de corpo presente, vale contar que os dois já haviam se conhecido nos bastidores do "Primeiro Mundialito de Poesia", em dezembro do ano passado, quando ambos foram apontados como destaques da competição. Naquele final de tarde explosivo nos altos da rua Duque de Caxias, dezenas de jovens se apinhavam junto à unidade móvel da rádio para celebrar a vida, o sexo e a cerveja liberada. Evoé Sassa!
Agora, com o sucesso noosférico do número protagonizado por Matzenbacher no primeiro Pecha Kucha/Brasil, mais e mais pessoas estão sacando que os Poems de la Merd dão um passo decisivo em direção ao infinitivo categórico da poesia franco-brasileira. Nunca um poeta conseguiu solucionar de forma tão contundente o nódulo estético da livre-gargalhada instaurado após a geração de 22 no Brèsil.
Sigam ligados na programação da rádio Ipanema, os poemas vão ao ar todos os dias, sempre às 10h, 15h e 20horas. Para os novos "merd fans" famintos por mais-mais, acompanhe a fúria criativa de Monsieur Matzenbacher nos seguintes endereços:
Les Mondes Fantastiques du W. Baker
Allons enfants de le Patrick!
Bisous bisous, pum pum.
(Tradução de Dieguito Stigger Marins)
Sentados em roda
merendávamos, beijos e baseados
e as horas passavam depressa entre o fumo e
o riso.
Morrerias por voltar, coa cabeça baixa cantava Gardel
e
entre citações de Borges, Evita dançava com Freud,
já choveu desde aquele
aguaceiro até hoje.
Ia a cada domingo ao mercado para te
comprar
calhambeques de migalhas de pão, soldadinhos de lata.
Com agüita
de um mar andaluz eu quis te namorar
mas você não queria mais amor que o do
Rio da Prata.
Durou a tormenta até os idos dos anos oitenta
quando o
sol foi secando a roupa da velha Europa.
Não há tristeza pior que sentir
saudade
do que nunca jamais aconteceu
me manda um postal de San Telmo, adeus, te cuida
e soou entre tu e eu o apito do trem.
Ia a cada domingo ao
mercado para te comprar
bonecos de migalhas de pão, cavalinhos de
lata.
Com agüita de um mar andaluz eu quis te namorar
mas você não queria
mais amor que o do Rio da Prata.
Aquelas bandeiras da pátria da
primavera
dizendo-me existe o esquecimento esta noite vieram
ficavas
tão bem, co'essa boina calada ao estilo do Che
Buenos Aires é como
você contava, hoje fui passear
e ao chegar à Plaza de Mayo comecei a
chorar
e a gritar: onde você está?
E não voltei mais ao mercado para
te comprar
corações de migalhas de pão, chapeuzinhos de lata.
E já não
me escrevem dizendo não consigo te esquecer
oxalá que estivesse comigo no Rio
da Prata
e não voltei mais ao mercado para te comprar
calhambeques de
migalhas de pão, soldadinhos de lata.
Só 1% do meu povo não acredita em Deus. De resto, 2% preferiu não se comprometer com uma resposta definitiva e 97% não só acredita como também afirma que ele é brasileiro. Eu fecho com a massa, tipo assim Copa do Mundo, sacou? E salve simpatia!
Com um pacote de cereal preso à axila e acendendo um cigarro bem firme, Vonnegut finalmente pode perguntar: "Afinal, vamos pro Paraíso?"... Você vai, meu velho, não sei o porquê, mas alguém lá em cima gosta de você.