"da ingenuidade dawkins:
os cientistas são crianças
que falam difícil e
constróem brinquedos enormes;"
- joão mognon
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os artistas e misticos são crianças
que sonham despertos
e sofrem com as pedras que lhes caem nos olhos
desferidas
pelo teto
e sonham acordados
e cantam os estranhos sons
que lhes atravessam as entranhas
vindo de outros espaços
enquanto não entendem
que tudo vomita acordado
e os dias que vão ao contrário
são apenas os dias
que lhes separam
do dia
em que tudo
estará acordado
e enquanto ele não desiste
os outros sofrem
pelo dia azul
e pelas flores escuras
que não páram de sossobrar
desse vosso canteiro
aonde não mais pertencemos
e os dias
interessantes forasteiros
apenas continuam
como barcos e crisálidas
que nos encontram pelos quatro cantos
desse escafandro imundo
chamado jeremias
e os outros polvoróticos
intensos salvesmundos
que não sabem a distância entre aqui
e a serra pelada
aonde o monge granjeiro
se esconde
comendo a calma cortada
pela mão do formigueiro
e segue assim o ônibus penha
sem sabermos se indo descemos
ou se caímos diante dessa lenha
sabemos apenas que estamos indo
para um doce desfiladeiro
chamado besteira
aonde o nada nos sorri como o volume sincopado
do alarme dos carros
que não pára de nos encomodar
díspare sintoma de sorrir para o luar
enquanto o seu corpo,
nunca agüentado
entrega-se à rotina de saltar a firme firma
que lhe convém o lento néctar hospitalar
que lhe congela as guelras
e lhe transforma em uma vítima
de primeira
- Guilherme Pilla



