AGORA. Faço esse pacto. Viver a partir do presente e na consciência que tenta se agarrar ao agora eu serei dedicado. Faço esse pacto. Pois acredito no poder da Consciência Superior que arredoma tudo e se expressa com sua aparência de verdade e condução no momento do agora. Faço esse pacto. Pois creio que no momento a momento deste tempo a consciência disponibilize os muitos aprendizados arrendados pelo passado e convertidos numa espécie de Sabedoria. Sapiência essa tão larga e relativa que enrola-se com o conhecer do futuro. Faço esse pacto. Tudo é mutação; e numa das perspectivas, o tempo enrola-se em ciclos, em círculos, trazendo o aspecto do eterno retorno; dessa lapidação cíclica que busca purificar algo em meio à multiplicação das teias, das relações e de tudo o mais.
MOVIMENTO. Na minha nave do presente eu sento e sinto o todo passando sem cessar. Para não estar em simples deriva (o que neste pacto também não é problema algum - mas gera ansiedade para uma mente ainda noviça nas alquimias do silêncio), para não andar a esmo pela perspectiva da mente, alimento o mental com o conhecimento do movimento. Visualizo as dez mil camadas do mudo se deslocando, girando, expandindo, seguindo, voltando e revoltando, explodindo, silenciando, apagando e acendendo. Vejo as mil camadas do meu país se enveredando, se descobrindo, se descortinando, se fechando, se esgueirando, se locomovendo, se aquaplanando. Vejo as cem camadas da minha vida se desdobrando, se emergindo, se afogando, se entendendo, se encontrando; e nisso, se enveredando entre as dez mil coisas, entre as dez mil camadas, entre os dez mil aspectos, entre os dez mil solilóquios que se reencontram. Na visão destes movimentos todos eu relaxo no centro da nave do presente pois vejo, sinto e sou vida. No conjunto deste tudo eu danço. Com minha mente eu danço e meu corpo erotiza-se no movimento. Eros da vida vem, me prazerifica e desmistifica a necessidade de certeza. No presente eu gozo. Só ou acompanhado. Sou o prazer da vida. A alegria das possibilidades.
ENERGIA. Nessa delicadeza de ser entre os segundos, eu sinto vibrar no fundo o compasso do tempo. No círculo que vem de dentro e expande a minha aura, eu abarco minhas famílias. Eu consolo o meu consolo. Eu solo; e sinto. Vibrar sutil, sei. Prevejo, antevejo, desejo e sou desejado. No magnetismo do silêncio, ecoo com todos os movimentos e sinto a direção, a intenção e assim me relaciono consciente com a energia. Ela me alimenta, de novo, me movimenta e se eu não perder a consciência fugidia, é só alegria. Mas este é o exercício. O equilíbrio é uma ideia a ser buscada. Um estado a ser pensado. Eu sou o que sou; agora.

é tão lindo isso que eu nem sei mais o que dizer...
Posted by: Camila Alexandrini | March 11, 2010 at 02:28 PM
basta dançarmos juntos...
Posted by: João | March 13, 2010 at 04:21 AM
sim...
Posted by: Camila A. | March 18, 2010 at 01:04 PM