Não há racional, não há coração.
É simples.
Ambos são uma só coisa, inseparável.
Para a mente serena,
ambos são uma só coisa, inseparável.
(i)
Na serenidade se dissolve a separação ilusória entre mente e coração. O que existe é apenas um mesmo fluxo, uma mesma direção e uma e só energia. Esta energia poderia ser entendida como o mais refinado dos raciocínios ou a mais evoluída das emoções. Pois ela é toda cheia de inteligência. Na verdade, ela habita este lugar onde a inteligência parece ficar tão perspicaz que ela passa a emocionar a si mesma. Passa a encher de emoção aquilo que parecia ser apenas frio e engenhoso. Passa a encher de vida aquilo que parecia ser apenas estrutura.
Não há mais diferença entre coração e mente. Não existe mais diferença entre amor e inteligência. É por isso que chamo este estado de 'amor-consciente'. Pois ao mesmo tempo que é o sentimento arrebatador e grandioso do amor, é também compreensão mútua. Conseguimos, além de sentir, entender. Enquanto sentimos, entendemos; e enquanto entendemos sentimos. Quanto mais entendemos, mais sentimos; e quanto mais sentimos, mais entendemos.
É uma energia unificada de alta frequencia e que pode apenas ser captada pela mais fina atenção do Ser. Estar de corpo e espírito no presente-momento parece ser a única forma de entrada neste campo unificado que parece estar alinhado com com busca humana. Esse campo unificado parece ser a própria natureza do Ser.
Esse sentimento ou sensação de unificação é muito próximo ao que os hindus definem como a 'natureza da realidade': Sat-Chit-Ananda. Que traduzido assim de forma livre é uma palavra única composta pelas palavras Existência (Sat), Consciência (Chit) e Bem-aventurança (Ananda). Tudo está intrincadamente co-existindo e nessa existência intrincada, a magnitude da felicidade expansiva do 'Amor-Consciente' parece ser o coeficiente comum a tudo o que existe.