555 KUBIK | facade projection | from urbanscreen on Vimeo.
Essa demonstração visual, assim como muitas outras que viemos acompanhando ao longo dos últimos anos, faz grande sentido! Pois anuncia um novo alvorecer da arte digital, que passa a preencher como líquido derramado o vaso-moldura dos espaços em branco criados pelas mais vastas gerações de artistas e arquitetos nas nossas últimas décadas de modernismo. O minimalismo criou o espaço, tornando a própria obra a moldura. Agora derramemos os conteúdos emotivos, sob a tela fria do branco-galeria.
Percebemos que o vasto movimento do minimalismo (ponta final do modernismo) é a recriação da moldura e não exatamente da obra de arte; é a busca pela forma desprovida de sentido mas, ainda assim, preenchida de valor. É, de fato, a busca por um estado-de-moldura. Visto que a moldura na arte tradicional da pintura exime-se do conteúdo, embora seja objeto determinante no valor mercantil da obra, mas principalmente no valor da obra enquanto obra. Justamente por ser o delimitador de onde o mundo termina e onde a obra de arte começa.
Mas o movimento minimalista é uma moldura do quê? Para quê?
Depois de décadas de expansão do minimalismo através da força do modernismo na arquitetura ou dos movimentos artísticos dos anos 80 e 90, chegamos em um momento onde alguns artistas, arquitetos, designers e o próprio design em si passa a entender que as estruturas puras impostas pelo movimento de limpeza das referências atreladas à obra de arte ou à obra arquitetônica são espaços para a expressão do design e do desígnio digital, onde as superficies fluidas da tecnologia transformam-se de acordo com o ilusionismo imposto pela maleabilidade das projeções. As telas expandem-se através da projeção e entendemos que o esvaziamento minimalista do movimento ponta-de-lança do modernismo é, em verdade, uma preparação de espaço para que a matéria-etérea-digital possa fluir sobre estes rios de espaço no fluxo que, aí sim, redefinirá a dinâmica da arte perante o mundo e do mundo perante a arte.
