A minha felicidade tenta se achar no meu dom natural à divergência. Na multiplicidade da vida, nas diferentes experiências, no "lá" habita a minha busca. Me inspira as muitas vidas que não vivo; e com tonalidade especial as que me parecem óbvio que jamais viverei. Me inspira a imaginação, o sonhar acordado, o berço das possibilidades e disso vem minha verve de vida. Sou vivo e vivo pela divergência. Diluo. Colírio.
Mas ao que me parece assim em análise, pelo menos o que me dizem as memórias inventadas, é que foram e é nos rápidos lampejos da convergência que se apresenta a mim o mais puro frescor da felicidade. É quando me esqueço do outro e do mundo. É quando me agarro no presente e respiro o seu sentido. É aí! Onde não vivem as miríades de mundos, onde desvanecem os devaneios, onde lágrimam as imagens, onde sem sentido se fazem as comparações, onde nada se projeta. Onde não há projetos, mas construções. Onde a vida se introjeta, e só. É aí que gosto, que acho.
É lá, onde divergir é apenas pano de fundo dos fundos, como as constelações o são em um passeio diurno. É lá, na brisa que refresca a visão, na pureza do azul cristal do dia sem fim da consciência. É lá que sou todo homem e todo feliz. Mas como me passam rápidos estes momentos. São, enfim, lá, sem dentro.
O que era aqui, volta a ser lá. Pronto, volto a projetar. Logo em mim volta a divergência dos muitos mundos. Sou feliz e pleno no não-pensar, mas eu mesmo me volto ao pensamento. Parece-me unicamente possível mergulhar-me no conforto jocoso do "quase-sei" do que no medo de não saber viver a trivial vida humana com a carga cristalina do "agora eu sei". Mais ou menos por isso, deixo quase sempre passar a brisa da consciência. Acho, afinal, que isto é o humano.

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