Com a acensão do movimento CosmoTribalista (Cosmopolitan Tribalism) conseguimos enxergar com clareza algumas de suas repercussões vindouras. De seus desdobramentos mais relevantes vemos o renascimento e a resignificação do canto vocal, o renascimento do bardo (poeta-cantor) e a revificação da fala. A importância da palavra falada ascende como objeto de manipulação do mundo retomando seu espaço na dimensão política, principalmente impulsionada pela franqueza da força da voz negra de Barack Obama - estrela suprema da conquista final do movimento negro - movimento este empostado na força do corpo, mas principalmente pela força da fala - expressa pela força da corda-vocal da raça e as conquistas do manejo da linguagem provocadas pela expansão devastadora do movimento hip-hop frente à cultura mundial.
O poder de enfeitiçamento da voz na retomada da escalada do Teatro e no retorno da Acapella Coletiva no universo musical dentro dos desdobramentos tribalistas do movimento Indie, nos apontam um futuro mais ameno, onde a tecnologia da biologia se sobrepõe à tecnologia mecânica, por sua capacidade de criar o entorno místico que pode nos colocar no transe coletivo tão almejado por essa nova geração. Voltamos à era da palavra e, na música, reaproximamo-nos do corpo, o que faz ressurgir o legado do físico humano como caixa acústica retomando o renascimento da música que involui em contração do legado ocidental da harmonia ao minimalismo profundo da música avançada e agora chegando no mantra essencial do corpo desprovido de máquina. Do 'beatboxer' individual dos anos 90, despertamos para uma orquestra ritmica coletiva.
O "BeatBox" coletivo nasce com pretensões transcendentais, nos chamando para a caminhada da descoberta do mistério de forma coletiva; em uma cultura de mãos dadas e não em uma cultura do pé-na estrada. Transcenderemos a individualização e individuação em nome do despertar concomitante ao lado daqueles que amamos? A resposta ainda parece estar longe.

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