Este blog entra em recesso temporário até que possamos novamente tocar os pés no chão. Obrigado pela sua compreensão.
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March 16, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (4)
É um lugar conhecido como El Fortin de Liniers. Estou com algum álcool na corrente sanguínea e fumo Gauloises em nome da iconografia. Alguns amigos estão por aqui, circulando, potencializando o encantamento da massa, dançando na pista, coroados pelo bolsão de estrelas da galáxia semovente.
As letras vão disponíveis na ponta da minha língua, os acordes guardo ao longo dos dedos. Precisarei andar muito, para pensar, que só se pensa de verdade caminhando. Posso encontrar um poema do Jacques Prévert esquecido num bolso, numa folha A4 dobrada em tantas partes. Estou em transe, em transcendência, em TRANSCENDANÇA. Sinto um estádio à deriva, como uma ilha que flutua, destacada do fundo das águas.
Um triângulo pessoal de proporções cosmogônicas que se fecha: João Gilberto, Nelson Freire, e finalmente ele. É o fim de uma década, uma nano-era, um Noah que se encerra. Lembro do dia 7 de abril de 1998, quando vivi pela primeira vez a compreensão de que o tempo não estava do meu lado, estava Out of Mind. Naquela noite eu e ele circulávamos na mesma cidade, que era a minha. Enquanto ele tocava no Opinião, eu escutava seu disco com espanto em minha casa vazia. Depois da revelação, andei pela madrugada tentando organizar pensamentos e sensações que me fugiam completamente do controle. Eu gritava: papel para os vivos, nem que sejam guardanapos! E agora essa noite faz dez anos.
Depois, os discos, os livros, as visões, a educação pela pedra, as tardes infinitas e hipnóticas junto aos portões do Éden, os credores, a morte, a loucura, o desespero, os hospitais, a queda, os fluxos, a poesia, a busca, as freqüências moduladas, as pequenas glórias e as grandes graças, minha modesta coleção de epifanias, o amor.
Todavia, agora é num lugar conhecido como El Fortin de Liniers.
E sei que isso tudo é somente a moldura quando se tem a companhia da menina mais linda da cidade, numa noite de sábado em Buenos Aires.
[A bênção Ray Charles, a bênção Julião, a bênção Manuel, a bênção Baden, a bênção Vinicius, a bênção Prévert, a bênção Pablito, a bênção Billy Collins, a bênção Clarice, a bênção Patrick, a bênção meu pai!]
March 15, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (2)
Fazer o óbvio é mais radical do que você poderia imaginar.
Declaramos ser artistas porque queremos fama, dinheiro e amantes atraentes.
Acreditamos que a contradição é a base de todo o pensamento, que o plágio é a estética moderna - e que, como artistas, somos pessoas extremamente glamourosas.
Como não temos a intenção de divulgar sérias exposições de nosso credo, acreditamos que todos têm potencial para serem felizes.
Acima de tudo. acreditamos no casamento e na família como instituições essenciais de uma sociedade livre.
Estamos felizes em plagiar. A originalidade não tem conseqüências, procuramos idéias e ações que irão transmitir valores espirituais.
Seremos afirmativos. O artista é tão sujeito a equívocos quanto qualquer outra pessoa. Jovens de vinte e um anos vivem se perguntando porque não são nada na sociedade, sem nunca perceber que são eles que constituem o futuro.
Não existe essa coisa de se vender. Se um trabalho é afirmativo, então ele deve apelar para o mercado de massa.
Acreditamos que existe lugar nesse mundo para tudo que tenha beleza semelhante a um garoto e uma garota que se apaixonam.
A tradição vanguardista da arte tem hoje cerca de cem anos. Nada mudou.
O artista como indivíduo é incapaz de julgar seu trabalho. O público deve ser o juiz final do significado e da intenção.
Se a vida fosse simples, não teria a mínima graça.
CHEGA DE GUERRAS
CHEGA DE BOÊMIOS
CHEGA DE ATEUS
HONRE SEU PAI E SUA MÃE
CHEGA DE MISÉRIA
CHEGA DE ÓDIO
CHEGA DE DÚVIDAS
AGORA É A HORA DE CURTIR
CHEGA DE ORIGINALIDADE
CHEGA DE ANTIARTE
CHEGA DE SAUDADE
CHEGA DE BOB DYLAN
CHEGA DE PALAVRAS
March 13, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (0)
homens-flores
que explodem uma vez
y otra vez
y una vez más
y pierden el olor, pero
não negam un beso
te viram do avesso
não olham para trás
pirómanos de un nuevo juego
mapamundi de bolsillo
caballero tanto faz
todos los fuegos, tu fuego, nena
como um clara cocodrilo
têm na manga um quinto ás
March 12, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (1)

O lançamento deste disco estava marcado para o dia 11 de setembro de 2001. Precisa dizer mais? Alguém não lembra o que estava fazendo nesse dia?
[+]
55:55:20 Swigert:
"Okay, Houston, we've had a problem
here."
55:55:28 Lousma:
"This is Houston. Say again please."
55:55:35 Lovell:
"Houston, we've had a problem. We've had a main B undervolt."
55:55:59 Lousma:
"Fuck! Roger. Main B undervolt."
March 11, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (0)
Neste meu ofício ou arte
Soturna e exercida à noite
Quando só a lua ulula
E os amantes se deitaram
Com suas dores em seus braços,
Eu trabalho à luz que canta
Não por glória ou pão, a pompa
Ou o comércio de encantos
Sobre os palcos de marfim
Mas pelo mero salário
Do seu coração mais raro.Não para o orgulhoso à parte
Da lua ululante escrevo
Nestas páginas de espuma
Nem aos mortos como torres
Com seus rouxinóis e salmos
Mas para os amantes, braços
Cingindo as dores do tempo,
Que não pagam, louvam, nem
Sabem do meu ofício ou arte.
[poema de Dylan Thomas por Augusto de Campos, no livro Poesia da Recusa]
March 10, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (0)
[+]
Creio que chegou a hora do John Cage entrar em cena para esclarecer o que diabos está acontecendo afinal.
March 09, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (1)

[Diego Petrarca, Maestro Vargas, Fabio Godoh e Marcelo Noah; a primeira formação do Clara Crocodilo Show!]
Dizem que devemos fazer algumas coisas antes del 'gran finale au revoir': plantar uma árvore, escrever um livro, dar flores para a mulher amada... coisas assim.
Eu somaria um item aí: manter um programa de rádio. É uma experiência cósmica da mais suprema aventura em face do desconhecido.
Salve Salve a Freqüência Modulada!
Salve o Theme Time Radio Hour!
Salve o Prefácil y Salve o Clara!
"Desse trago eu já bebi", diria el Señor Dylan.
;]
Haha! Moi aussi.
March 08, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (0)

Fiquei sabendo que o Dylan daria a graça por estas bandas logo depois do show do Joaquin Sabina, que assisti com meus amigos em Baires. O Ramiro Breitbach logo se prontificou a voltar para lá, mas, com os compromissos no Itamaraty, acabou sendo obrigado a enfrentar São Paulo por motivos de preguiça maior. Tudo bem, fiquei de cara mas impus uma condição.
Pedi que ele escrevesse um relato logo após a experiência, que acabei de receber e que muito me emocionou.
Rock on, Ramiroooooo!
Hola Compañeros
Sim, o show foi obviamente fenomenal. Ainda estou sob o efeito. O negócio é o seguinte: Ele está meio velho, e quem espera ouvir as músicas como estão no disco vai quebrar a cara. Afinal de contas, a mistura de nonchalance e inventividade é que faz do Dylan esse fenômeno. Dizem que a primeira música que ele tocou foi Rainy Day Women, mas eu sinceramente não reconheci. Além disso, me lembro de Summer Days, When the deal goes down, Highway 61, Hard Rain, Tangled up in Blue (que foi uma surpresa pra mim), Ain't Talking, Working men Blues, Rollin' and Tumbling, Love Sick, Like a rolling stone, e, para delírio do Suplicy, Blowing in the Wind. Ele canta mais cuspindo as palavras do que propriamente escandindo as sílabas. Não há vogais alongadas quase nunca, mesmo em it's a haard raaaaaain's gonna fall.
O velho Dylan está meio gasto, mas a banda funciona com a precisão de um dínamo alemão, e não há como não se emocionar ouvindo essas canções, apesar do público careta (vários me olharam torto por eu estar cantando as música em voz alta).
No começo, eu estava achando engraçado essa clima meio castelo de Caras, até que eu vi que a revista em questão estava mesmo fazendo uma reportagem com os notáveis do lugar, o que me deu vontade de devolver à natureza o xis que eu tinha comido minutos antes. No final, não foram poucos os comentários do tipo "legal mesmo é aquela how does it feel".
Houve mesmo uma sirigaita que se atirou no palco em cima do Dylan, só para ficar berrrando na saída "Eu beijei o Bob Dylan!!" (é sério). Acho que o ingresso a R$900 não foi uma boa opção, ainda que a casa estivesse quase lotada.
Foi, contudo, divertido quando ele apresentou a banda e perguntou pela supracitada cabrocha, dizendo que gostaria de dar-lhe o seu chapéu.Abraços rolling thunder,
Ramiro
March 07, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (6)
Esse é o bicho!
Com a onda de lançar discos com gravações jurássicas do Bob Dylan, devo admitir que nenhum deles foi tão extraordinário quanto "Dylan Hears a Who!", que na real nem não é do Dylan, jeje.
Esses tempos apareceu uma página pra lá de insólita na rede. Um maluco ninguém sabe de onde produziu sete canções que recriam à perfeição o clima das canções do Dylan em meados dos anos sessenta. As letras, entretanto, são extraídas dos poemas do Dr. Seuss (o cara do How the Grinch Stole Christmas), que caem como uma luva na dinâmica frasal do nosso fanhoso-maravilha.
É puro pastiche, mas é tão idêntico ao cara que, por mais inusitado que seja, muita gente chegou a pensar que fosse o próprio em algum registro perdido.
O site já não está mais no ar, sumiu na neblina. Mas é fácil de encontrar nos SoulSeeks e similares.
Em todo caso, aqui vai uma provinha pra quem só quer dar uma BICADA.
March 04, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (0)

World Gone Wrong [1993]
[Voz e violão/ Categoria: crossroads/ MH: o clipe de Blood In My Eyes]
Foi em Santiago do Chile que encontrei o disco. Caríssimo para quem estava vivendo de pão com mostarda e ketchup. Num surto demencial, comprei o disco e deixei o troco para a vendedora. Uma gatinha andina, que certo me soprou um encanto. Já no metrô, lembrei da fome e percebi que já não havia grana para a refeição. Contudo, dramático mesmo foi admitir que, além da janta, também não comeria a garota que me atendera na loja. Isso doeu mais. Sorte que não sou de me arrepender dos meus impulsos, e nem de lamentar os meus fracassos; o remédio foi apertar ainda mais o cinto, deflorar a libido numa homenagem solitária e escutar o investimento de volta à pensão.
Talvez fosse a fome, mas acontece é que aquilo que descobri nesse álbum me deixou vesgo. Havia encontrado um canal direto, sem atravessadores, para escutar, num tête-à-tête, o que Dylan tinha para dizer a respeito do passado.
WGW apareceu na soleira do Good as I Been to You (regressiva #29); mais uma seleção de canções de formação para Dylan, onde ele assina os arranjos de peças já em domínio público. Mas ao contrário do álbum anterior, este veio muito mais soturno e apocalíptico. O universo referencial deste chumaço de canções ataca na jugular do cancioneiro norte americano, passa dos Mississippi Sheiks a Blind Willie McTell em uma única rodada do carteado.
Quatorze canções gravadas de um tiro, na garagem da mansão que Dylan possui em Malibu. Ele nem trocou o encordoamento do violão, tampouco se preocupou demasiado com a afinação do instrumento.
O resultado é o reflexo da possibilidade espessa de uma verdade, a certeza da certeza em um sonho retorcido. Coloque o disco na eletrola, mas tenha uma garrafa de uísque por perto. Feche os olhos, mas atente ao tato. Será fácil projetar o cantor na sua frente, na varanda da existência humana, desmascaradamente humana.
Acho inquietante, por outro lado, que Dylan tenha gravado "32-20 Blues" do Robert Johnson, mas tenha resolvido deixá-la de fora do álbum. Quem sabe rolou uma angústia da influência nessa decisão, sei lá. O certo é que Dylan escreve linhas lindas na sua autobiografia em referência a Johnson, contando o que sentiu quando escutou o mago pela primeira vez.
Escutar as gravações do R. Johnson só encontra parecência em escutar as do Noel Rosa. Um translado que me parece necessário, mesmo que descabido.
March 03, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (0)

um cigarro
|| cigarros
||| cigarros
\\\\ cigarros
||||| cigarros
|||||| cigarros
||||||| cigarros
|||||||| cigarros
||||||||| cigarros
////////// cigarros
||||||||||| cigarros
|||||||||||| cigarros
||||||||||||| cigarros
|||||||||||||| cigarros
||||||||||||||| cigarros
|||||||||||||||| cigarros
||||||||||||||||| cigarros
|||||||||||||||||| cigarros
||||||||||||||||||| cigarros
um maço
...mas aí o Supla tem que abrir o show, combinado?
March 02, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (3)
Fui no cinema ver este filme só pra escutar a canção.
Voei.
[Vernon Hardapple] - Why did you keep writing this book if you didn't even know what it was about?
[Prof.Grady Tripp] - I couldn't stop.
[+]
A tempo, uma nota na Folha de hoje:
JOÃO GILBERTO TOCARÁ EM NOVA YORK
A diretora Solange Kafuri diz que convidou, por carta, João Gilberto a participar do show de hoje ["Bossa Nova - 50 Anos", no Rio]. Não teve resposta, mas ele celebrará os 50 anos de sua versão de "Chega de Saudade" - ao menos no exterior. Seu escritório informa que em 22/6 ele estará no Carnegie Hall (Nova York). Em novembro, canta em Tóquio.
Tenho um grande amigo de Tóquio - Taku "Caio" Tatibana - que é doido por Bossa Nova. Ele sempre me liga pra contar dos shows que o João Gilberto faz por lá, ele vai em todos.
Tá certo que a grana abunda por lá, e é preciso pagar a conta do apart no Leblon, mas porra!, não rolava uma canja na terrinha não? Vai entender a estrela, pff!
Ainda assim, eu amo ele.
Saravá, meu rey!
March 01, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (0)
Blonde on Blonde [1966]
[Yeah!/ Categoria: Yeah!/ M. H.: Oh yeah!]
O disco que inventou o Roquenrou
Nada pode ser maior
(fora a Belina do coroa)
Sexy; Ácido; Tri bom!
Socorro! É isso aí!
E também inventou a juventude
que antes do Blonde on Blonde era velha
Engraçado, Festinhas, Tentação!
Blonde do Tigrão
Clics! Flashes! BananaSplits!
Redondo, rrredondo, eu sei
Two giant lips for mankind
Yeah Yeah Yeah!
February 29, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (0)
Eu sigo pensando que o Jim Morrison foi o roquestar que melhor representou a categoria no quesito 'eu-também-vou-publicar-um-livro'.
Nem tanto pelos poemas do Morrison, que hoje só leio pela nostalgia da adolescência, mas pelos seus livros mesmo; o conjunto da coisa, o objeto-livro, saca? Aquelas cartilhas poético/dionisíacas rolavam de mão em mão no basfond puertoalegrense dos anos noventa. Qualquer garoto percebia que eram obras sinceras, que havia um poeta por trás daquilo. De certa forma fui introduzido na poesia por aquelas edições portuguesas da Assírio & Alvim - "Colecção Rei Lagarto" uhuu, éa! -, que de quebra também publicava um tal Fernando Pessoa. [A primeira vez que li o nome do Pessoa, pensei: 'legal, desse eu não esqueço porque é o nome do meu irmão'. Ah, grandes são as descobertas, e tudo é descoberta.]
Mas muitos são os nomes dessa lista de imigrantes da canção.
O Chico Buarque mandou bem com o Budapeste, que li entre risadas e espantos do início ao fim da história (cheguei a suspeitar que ele tivesse contratado o Bonassi para escrever o livro pra ele). Caetano escreve delicioso e faz da realidade pura fricção. O Lennon publicou uns livrinhos infantis inspirados no Lewis Caroll in wich words are flowing out like endless rain into a paper cup. A Patty Smith então, essa arrasa com as esferográficas sobre a mesa. A Suzanne Vega também, publica os mais lindos livros de poemas. O Vitor Ramil é estranho e hermético, mas provoca uma sensação estética que magnetiza o leitor.
E tem o John Cage, esse sim é completamente [ ].
Mas vamos ao Dylan.
No pico de sua loucura sessentista, transbordante de palavras, Dylan escreveu Tarantula, um livro ficcional composto por textos experimentais de recorte surrealista-juvenil. Depois dessa leitura, quando me falam em "fluxo de consciência" eu já saco a minha pistola. Na época enfrentei esse desafio com a maior das boas vontades, mas acabou que achei um tremendo saco esse Tarantula.
Agooora, quando tudo parecia perdido em relação ao mundo das brochuras e paperbacks na vida dos dylandoidos, eis que, no apagar das luzes, o grande gênio aparece com um monumento chamado CHRONICLES.
Associo esse livro ao monolito que aparece no 2001 do Kubrick. É um evento histórico da palavra escrita. Uma espécie de "O Segredo" do universo pop. Capaz de revelar questões fundamentais à compreensão do Grande Mistério Bufo, assim como o fitamos de uma mesa de bar ou um quarto de hotel.
Quem lê esse material tem a impressão de estar sentado numa varanda, depois de cruzar o estado inteiro em cima de um cortador de grama, com um maço de cigarros cheio na mão, escutando a lição de um mestre Jedi que resolveu romper o silêncio de um milhão de insights.
Até agora temos somente o primeiro dos 3 volumes prometidos pelo cantor, o que só aumenta a fissura pelos próximos dous livrous. The best is yet to come and babe, won't it be fine?
Engraçado, o primeiro grande mestre do Dylan, o folklórico Woody Guthrie, também escreveu sua autobiografia maximizada. Bound for Glory foi o livro que pirou a cabeça do jovem Roberto, fazendo com que ele tomasse coragem de ir pra Niebla Jorque atrás de uma vaga idéia de verdade. Agora é ele quem está relatando sua experiência de vida 'versão do diretor'. Pois que venham ao Bob os pequeninos. His light eclipsed the moon tonight, Elecrolite.
Fechando aqui, a revista Rolling Stone indagou Dylan acerca do Chronicles, olha que cuti-cuti:
"Most people who write about music, they have no idea what it feels like to play it. But with the book I wrote, I thought, ‘The people who are writing reviews of this book, man, they know what the hell they’re talking about.’ It spoils you … they know more about it than me. The reviews of this book, some of ’em almost made me cry — in a good way. I’d never felt that from a music critic ever."
Se o Marlon Brando pega um boludo nessa fragilidade toda, chulapa-lhe um tabefe em cada bochecha, gritando: "you can act like a man! what's the matter with you?".
A benção, padrinho!
February 28, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (0)
Street Legal [1978]
[Retorno de Saturno/ Categoria: Maduro/ Menção Honrosa: às colored girls que go doo do doo do doo do do doo nas canções]
É um álbum sensacional que foi completamente deixado de lado em sua discografia. É também o último suspiro antes da guinada cristã que dominou sua carreira nos anos oitenta.
Contudo, o que me pega nele é ter sido lançado em 1978, que, além de ter sido quando a Argentina ganhou sua primeira Copa do Mundo, foi também o ano em que eu nasci.
February 27, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (4)
Before the Flood [1974]
[The Band sempre foi melhor ao vivo que no estúdio]
A foto da capa tem um contexto especial, foi a primeira vez que aconteceu a catarse coletiva de pessoas empunhando seus isqueiros acesos num show de roquenrou. Vibrando num só corpo de cósmica gestação, de repente, milhares de pessoas passaram a riscar seus isqueiros. Foi a única vez em que Dylan foi visto chorando.
Percebe-se que estamos falando de uma época onde todo mundo fumava e tinha um yesqueirito para participar da movida. Hoje o pessoal levanta telefones celulares, que assim de longe eu até acho bonito, mas poeticamente falando é bem palha na real.
Por essas e outras que eu sigo fumando... e evocando a Tabacaria.
February 26, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (0)
Alguma coisa me diz que o Bob vai de Obama na próxima eleição. É um palpite, mas sinto que tem algum fundamento; afinal, como disse Jabor esses dias, o Obama é jazz! E isso explica tudo: you’ve got to get the rhythm, you’ve got to get the blues.
Obama é um cara com raízes profundas na América do Norte que vale a pena, a mesma que Dylan desde cedo elegeu para tomar parte e a qual passou a vida buscando. Se Elvis era um branco que dançava como um negro, Dylan é um judeu de Minnesota com alma negra do Mississippi. Inclusive, duas das três mulheres com quem se casou até hoje são negras. A mais recente, a cantora Clydie King, com quem teve dois filhos, foi backing vocal do Ray Charles. Só na pulsação, hehe. O Dylan é o branquelo mais black do cenário, brother!
Neste vídeo aí em cima, filmado em 1962, vemos Dylan tocando em meio às plantações de algodão do Delta do Mississippi, ele queria convencer agricultores negros da importância de se inscreverem para votar. No ano seguinte, em março de 63, estaria tocando para milhares de pessoas na histórica "Marcha sobre Washington", ao lado de Martin Luther King Jr. - quando do pronunciamento de seu famoso discurso "I Have a Dream". Desde o começo é o Bob nas cabeça, véio.
Está na hora de Barack Obama. Diga lá, não seria lindo ver um filho negro da América no comando da maior potência do mundo? Certamente uma alegria tão grande quanto ver um retirante nordestino sendo eleito o Presidente do País do Futuro. Como dizia o profeta:
Come mothers and fathers throughout the land
And don't criticize what you can't understand
Yr sons and yr daughters are beyond your command
Your old road is rapidly agin'.
Please get out of the new one
If you can't lend your hand
For the times they are a-changin'.
February 25, 2008 in regressiva p/ dylan | Permalink | Comments (4)