cigarro

Dita Dura.


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The Magic Touch.

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Santa in the After Hours.


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You'll have a yabba dabba doo time!

 

Flintstones. Meet the Flintstones.
They're the modern stone age family.
From the town of Bedrock,
They're a page right out of history.
 
Let's ride with the family down the street.
Through the courtesy of Fred's two feet.
 
When you're with the Flintstones
You'll have a yabba dabba doo time.
A dabba doo time.
You'll have a gay old time.

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Alguns %'s

Yvonne Rainer. (American, born 1934). Privilege. 1990

Um estudo feito por um grupo da Universidade Harvard entre 32.046 mulheres que nunca fumaram, ao contrário de seus maridos, mostrou que a incidência de doença coronariana entre elas atingiu quase o dobro daquela encontrada entre mulheres não expostas.
Pesquisa da Universidade Yale, nos Estados Unidos, com 10 milhões de mulheres de maridos fumantes revelou que a incidência de câncer de pulmão foi o dobro da esperada entre não fumantes.
Há poucos meses, nesta coluna citei um estudo recém publicado pela Universidade de Glasgow para avaliar o impacto da lei que proibiu o fumo em bares e restaurantes na incidência de ataques cardíacos.
Nos dez meses que antecederam a vigência da lei foram internados nos hospitais de Glasgow 3.235 pacientes com quadros coronarianos agudos. Nos dez meses seguintes à proibição houve 551 casos a menos. Houve queda em todos os grupos: 14% nos fumantes, 19% nos ex-fumantes e 21% nos não fumantes, a diminuição mais acentuada.
Para não abusar de sua paciência, leitor, serei breve: os dados são inequívocos, os fumantes passivos estão sujeitos a sofrer dos mesmos males que afligem os ativos.

[Drauzio Varella - Folha, 25 de abril de 2009]

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Estalo, Estalinho, Stallone.

Stalonne

A notícia é antiga, mas as fotos são ótimas. Durante a visita que fez ao Parque Lage, na Zona Sul do Rio de Janeiro, Sylvestre Stallone aproveitou que estava ao ar livre para acender um charuto. O motivo da visita do astro de Hollywood ao parque do Jardim Botânico é o filme que ele roda no Rio de Janeiro este mês, intitulado "Os Mercenários". A área verde é uma das locações da produção, além da cidade de Mangaratiba, no litoral fluminense.

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Si.Kar'

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Newsies smoking at Skeeter's Branch, St. Louis, 1910.

Newsies smoking

11:00 A. M . Monday, May 9th, 1910. Newsies at Skeeter's Branch, Jefferson near Franklin. They were all smoking. Location: St. Louis, Missouri. Photograph by Lewis Wickes Hine, 9 May 1910.

From the National Child Labor Committee Collection at the U.S. Library of Congress.
More child labor photography by Lewis Hine | More sepiatone photography
[PD] This picture is in the public domain.

Thanks to TrialsAndErrors.

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Fumar é Humano.

Cigarro

Memorável Momentum.

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Doctors on Camel.

 


"See how mild and good tasting a cigarette can be." - sim, tu pra mim ainda és a destruidora de todas as sepulturas. Salve minha vontade! E só onde há sepulturas é que há ressurreições!

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Cubatão e a fumaça.

Parei nas paragens do vazio. Imitei a indústria e sorri em sua chaminé. Pensei no sentido que girava o mando do mundo e enrolei um cigarro abarrotado de dia inteiro; visível fiquei a mim mesmo quando pensava em fumaça. Enrolado, perto do peito senti um aperto de respiro, uma cinza amaroal solicitosa vuolhou em ar abento; das nucleares síndromes de duas cabeças, os rolimãs das crianças em cacos ainda saem sem sentido pela estrada de Santo. Seu sou. Kadet. Sim. Só isso.

200806052048

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MANCHETE DE JORNAL

publicado em 02 de junho de 2008:

Novo teste de sangue poderá prever câncer

Um teste molecular de sangue poderá identificar precocemente o câncer de pulmão em fumantes, revela um estudo divulgado ontem no maior congresso da doença do mundo, que acontece em Chicago.
O exame está sendo desenvolvido e foi financiado por institutos do governo da Alemanha, sem a participação da indústria farmacêutica.
Segundo o médico oncologista que coordenou o estudo, a previsão é que o teste será comercializado dentro de cinco a sete anos. A pesquisa acompanhou 2.500 fumantes sem câncer preexistente por dois anos. O teste teve uma sensibilidade de 75% para detectar o câncer de pulmão e de 85% para identificar pessoas que não desenvolveriam câncer.

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La Cigarette

O Cigarro

Sim, este mundo é chato e o outro, uma graça.
Eu vou resignado, sem me fiar na sorte,
E pra matar o tempo, enquanto espero a morte,
Lanço ao nariz dos deuses fitas de fumaça.

Ide, esqueletos do futuro, pobre raça.
Eu, o meandro azul que para o céu serpeia,
Mergulho em êxtase sem fim, cabeça cheia
De ópios febris de alguma estranha taça.

Adentro o paraíso, em sonhos todo imerso,
Nos quais se vão mesclar, em fantásticos ritos,
Elefantes em cio a coros de mosquitos.

E quando acordo, meditando no meu verso,
O coração pleno de júbilo, balanço
Meu polegar cozido - uma coxa de ganso.

Jules Laforgue (tradução de Augusto de Campos)

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Obama, o pequeno preto-véio.



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Humildade e humanidade.

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Mecanismo diabólico

Escrito pelo Dr. DRAUZIO VARELLA

[...] O intervalo livre de sintomas entre o último cigarro e o ataque de nervos para acender o próximo é chamado de período de latência. Nos noviços esse período é longo; um único cigarro pode manter a crise sob controle por uma ou duas semanas. O uso repetitivo, entretanto, induz o aparecimento de tolerância, fenômeno que encurta progressivamente a latência.
Enquanto os sintomas de abstinência já são perceptíveis a partir do primeiro cigarro, a tolerância se desenvolve progressivamente no decorrer de meses ou anos. É ela, no entanto, que mantém o fumante nas garras do fornecedor.
Uma vez instalada, a tolerância finca raízes sólidas nos neurônios cerebrais. Depois de anos, quando o ex-usuário julga haver subjugado o vício e decide fumar apenas um cigarrinho, ela ressurge das cinzas: em poucos dias ele estará fumando como antes; senão mais.
Quem já fumou, como eu, tem direito de considerar-se ex-usuário de nicotina, ex-dependente jamais. Em algum canto do cérebro, a serpente da dependência estará à espreita do primeiro deslize.
Aqueles que conseguiram abster-se por apenas três meses ou passaram décadas em abstinência, quando recaem voltam com a mesma rapidez ao número de cigarros diários anteriormente consumidos. A dependência de nicotina é uma doença crônica, incurável, o cérebro do fumante nunca mais voltará ao estado original.
A farmacologia não conhece droga que cause tamanha dependência química.
A nicotina não vicia por causar sensações inacessíveis aos mortais que enfrentam o cotidiano de cara limpa. Inundar o cérebro com ela não faz você experimentar a alegria do álcool, a onipotência da cocaína, o relaxamento da maconha ou as visões do LSD. Não existe barato nem viagem. Você fuma apenas para aplacar as crises de abstinência que a própria droga provoca a cada trinta minutos.
O único prazer de quem fuma é sentir a paz de volta ao corpo suplicante, até que a próxima crise bata à porta para enlouquecê-lo. Parece invenção de Satanás.

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MONDO CANNES

Premiada no Festival de Cannes no ano passado por sua animação "Persépolis", a franco-iraniana Marjane Satrapi quebrou o protocolo na entrevista coletiva do júri. A organização do festival havia desaconselhado os jurados de fumar durante o evento. "Tenho uma questão médica a declarar. Nós, membros do júri, precisamos fumar nesta situação. É uma necessidade física", disse. Em seguida, ela, Sean Penn e a atriz francesa Jeanne Balibar acenderam seus cigarros.

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Meanwhile, something is rotten in the state of Denmark

Coluna Social (Folha - 12. 05. 08):

Determinado a diminuir o consumo de cigarros, Chico Buarque de Hollanda, que já estava consumindo oito diariamente, cravou mais um "recorde", de acordo com amigos. Está fumando só seis cigarros por dia.

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Leituras Coligidas

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Um livro admirável sobre o cigarro na cultura norte-americana. Visite o site do livro pra ter uma idéia da coisa: www.cigarettecentury.com

E veja uma entrevista com o autor - professor da Harvard Medical School -, que afirma haver mais pessoas fumando cigarros hoje do que em qualquer outro momento da história.

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Lei de Gérson (produto nacional)

Lei de Gérson
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Segue a Lei de Gérson a pessoa que "gosta de levar vantagem em tudo", no sentido negativo de se aproveitar de todas as situações em benefício próprio, sem se importar com a ética. A expressão originou-se em uma propaganda, de 1976, para os cigarros Vila Rica, na qual o meia-armador Gérson da Seleção Brasileira de Futebol era o protagonista.

Mais tarde, o jogador anunciou o arrependimento de ter associado sua imagem ao reclame, visto que qualquer comportamento pouco ético foi sendo aliado ao seu nome nas expressões Síndrome de Gérson ou Lei de Gérson.

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¡Dale que va! (todavia acerca de Carlitos)

Sin embargo, había un aspecto en que la actitud de Gardel sobre el cuidado de la voz difería de la mayoría de los cantores de tiempos más recientes. Era un fumador empedernido. (Caruso también era un gran fumador.) "¿No le hace mal el tabaco?", le preguntaran una vez. "¡Ya lo creo! Pero ¡quién es capaz de dejarlo!", respondió. El reportero en cuestión interpretó esta réplica como un buen ejemplo de "fatalismo criollo".

Fume compadre, fume y charlemos
y mientras fuma recordemos
que con el humo del cigarrillo
ya se nos va la juventud.

[Nubes de Humo, gravada por Gardel em 1923 - ESCUCHAR] 

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in Carlos Gardel (Su vida, su música, su época), de Simon Collier - Plaza & Janés Editores.

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de Liniers

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Ojos de Ceniza (Bienvenido al Club!)

Gardel_two_cigarettes   Em Buenos Aires ocorre um prodígio mítico-tabagístico que este blog não pode deixar passar em brancas nuvens: uma das mais fortes tradições locais reza nunca deixar Carlitos sin puchos.

Isso mesmo, sepultado no Cementerio de la Chacarita, Carlos Gardel recebe multidões de visitantes comprometidos em jamais deixar que essa chama se apague.

Explico: todos os anos, nas datas de nascimento e morte do cantor, filas de pessoas permanecem de prontidão para substituir velhas baganas por novos cigarros à garbosa estátua do 'morocho del Abasto', fazendo com que ela nunca fique sem tabaco. Até quem não fuma entra na onda e compra un paquete de diez para não ficar de fora da oferenda.

Não é lindo?! De dez em dez minutos uma nova pessoa trepa na tumba para, em ritmo de prece, levar a cabo essa operação. Assim, sempre há um crivo queimando entre os dedos negros da imagem de Gardel.

Tango querido
que ya pa'siempre pasó,
como pucho consumió
las delicias de mi vida
que hoy cenizas sólo son.

Tango querido
que ya pa'siempre calló,
¿quién entonces me diría
que vos te llevarías
mi única ilusión?

No detalhe da foto, vemos o ídolo tomando parte de uma reunião animada do Two Cigarettes Smoke Society.

Cariño, maestro!

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de Liniers

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O tarô dos maços de cigarro.

Já faz algum tempo que os maços de cigarro vêm acompanhados de fotos mais ou menos assustadoras, advertindo sobre as conseqüências do tabagismo. Um doente com máscara de oxigênio, um homem desconsolado com sua mulher na cama, o "close" de um sorriso necrosado informam sobre os riscos de câncer no pulmão, impotência sexual ou não sei que males da gengiva. Desconfio um pouco da eficácia dessas mensagens. As fotos não são das mais chocantes. Quem sabe até poderia haver uma escala de radicalidade: os maços de cigarro "light" teriam fotos mais suaves e, conforme a dosagem de alcatrão e nicotina, chegaríamos a cenas de verdadeiro horror. Em todo caso, li que a idéia das fotos antitabagistas poderá ser adotada em outros países. Provavelmente o que conta não é o susto provocado pelas imagens no consumidor -que já comprou o maço de qualquer jeito-, mas a vergonha de continuar fumando com aquela foto à sua frente. Acredito que tenha menos medo do câncer do que de ser chamado de burro. Há quem desenvolva estratégias para não ver as fotos: enfia uma nota fiscal entre a foto e o celofane, coloca o isqueiro por cima... Nada ilustra melhor a própria idéia do vício. O vício não nasce da ignorância, da desinformação, mas do seu contrário. É o desejo de conhecer o mal (e de esconder-se desse conhecimento) o que está de fato em jogo. Não foi por falta de advertência que Eva quis provar do fruto proibido.

Cancer Laringe Cadeira De Rodas Cigarro Impotencia
Bebe Cancer De Boca Crianca-1

Em "O Natimorto", extraordinário livro de Lourenço Mutarelli que acaba de ser lançado pela editora DBA, o personagem principal (chamado apenas de "O Agente") constrói uma relação bizarra com as figuras que encontra nos maços. Usa-as para prever o futuro, associando-as às diversas cartas do tarô. Eis um exemplo do seu método: "No maço, um homem sufocado afrouxa a gravata. "Quem fuma não tem fôlego para nada." O Enforcado, lâmina 12. Abandono. Reversão da mente e da maneira de viver." Cito sem reproduzir a disposição das frases ao longo da página, cadenciadas como se fossem versos. As associações feitas pelo personagem são cada vez mais remotas e não esclarecem muito sobre a evolução da narrativa. A foto do casal na cama, avisando que o fumo causa impotência, é interpretada como a carta 18 do tarô, a Lua: "Dois cães uivam enquanto bebem lágrimas lunares. Sob eles, um lençol de água. Na água, uma criatura, dizem, o escorpião. A Lua é cortada, e não vemos a parte superior. No maço, dois seres humanos. (...) Na parte inferior da imagem, um lençol cobre seus órgãos genitais. Na parede azul, como o céu, vemos ao centro um detalhe da moldura de um quadro que não vemos. A Lua." Lourenço Mutarelli é autor premiado de histórias em quadrinhos. Essa sua experiência na prosa de ficção não é bem um romance: a narrativa se organiza em diálogos, intercalados por pequenos trechos em "verso", como os que acabo de citar. Os diálogos, entre "O Agente" e outra personagem, uma cantora chamada "A Voz", seguem um ritmo muito particular, pois as falas de um e de outro não se alternam regularmente, como numa entrevista pingue-pongue ou nas rubricas de uma peça de teatro. Demoramos para perceber que o texto de Mutarelli está na verdade mais próximo do roteiro de uma história em quadrinhos, cujos desenhos, entretanto, não serão revelados ao leitor. Temos só as falas, não as imagens: ao mesmo tempo, o livro gira em torno da interpretação (obscura, inquietante, inconclusiva) de figuras, de fotos e de arcanos. Estamos próximos da poética surrealista, não no que tenha de mais folclórico e exterior -delírio, verborragia, freudianismo vulgar- mas pelo seu lado mais insolúvel, hipnótico e vampiresco. Quem foi à exposição de arte dadá e surrealista no Instituto Tomie Ohtake (em cartaz até 28 de novembro) pôde certamente experimentar, diante de obras como as de Man Ray ou de Max Ernst, uma sensação de angústia, de humor e de silêncio muito intensa, que parece transcender o que o surrealismo tinha de mais imediatamente provocador. É como se muitas obras daquela exposição tivessem energia própria; assemelham-se, de fato, a máquinas destinadas a gerar não se sabe bem o quê, e é esse "não-saber", essa insciência, que se implanta em nosso espírito, inquietante e corrosiva, como uma semente de morte. Como um câncer, talvez, ou como um feto ameaçador e indecifrável, que todos temos dentro de nós mesmos.

Perna Feto Rato E Barata

É esse o universo mental de "O Natimorto", que se expressa, entretanto, numa forma despojada, econômica, sem nenhuma gesticulação feérica. A história do livro segue uma psicologia clássica e um roteiro bastante claro: acompanhamos um caso de amor que começa e que termina, entre um caça-talentos e uma cantora. Pormenores estranhos se entreabrem, contudo, a cada página. A voz da cantora tem a peculiaridade de ser inaudível. Uma história estranha é contada e recontada, com variações cada vez mais cruéis: fala-se de um monstro que existe no fundo de um poço e que, ao ser encontrado, nada mais é do que a nossa face refletida na água. "Tu és isto" ("Tat tvam asi"): a frase da sabedoria oriental é citada em "O Natimorto". O livro de Mutarelli também funciona para nós como um espelho, ao mesmo tempo profundo, luminoso e impenetrável. Na tradição de Rimbaud e dos surrealistas -cujo interesse pelo ocultismo e pelo tarô é bastante conhecido-, a literatura se afirma aqui como um ato de vidência. Não se trata de ocultismo, entretanto, mas, sim, de revelação.

cigarro roubado de: Marcelo Coelho / carteira furtada de: Lourenço Mutarelli

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Jasmin et Cigarette.

Existem duas coisas no mundo que se equiparam ao frescor epidérmico de uma mulher.

Uma delas é o jasmim - flor brotante das essências das pétalas vúlvicas que ao deflorar-se na mansão mundana, exala o exílio de um perfume que transcende a sensualidade e visita as dimensões de um sublime avarandado pernicioso; um delírio e cheio de vitalíciosas sobrinhas doudas de dar.

A outra coisa do mundo é, como não poderia esfacelar-se, o cigarro - com mais precisão, o pequenino cigarro, o assim carinhosamente alcunhado pelos francesinos: cigarette.

Jasmin et Cigarette. Pois bem, pois tudo. Imaginem só vocês se essa não é uma das mais novissages e prolíficas odoranças lançadas pela clássica casa de perfume Etat Libre d'Órange. Uma belíssima composição em tonalidades que se entrelaçam em uma dança sensual, com tonalidades de vida longa e fashion models viúvas - eis os contrastes. Um delírio humano em todo o seu vigor.

Em minha leitura este é um perfume para deleite do homem masculino. Um puro bruto com toda sua intencionalidade de estupro. Se São João da Cruz usasse um perfume, certamente, seria esse.

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Para uma contraposição mercadológica muito bem pensada pelos lindérrimos criadores da marca, temos uma não menos genial criação para o público fumador feminino: o perfume de esperma. Entitulado de "Sécretions Magnifiques", o fabuleuse do frasco emula as notas neutras da porra. Uma criação abismal do perfumista Nano Jacques Ventura que teve a idéia após conhecer Mirriam Margiela (sobrinha de Martin Margiela e possuidora do lambissal apelido de Cock Smoker) que presenteou o pequenino Jacques com uma sequencia oral que rendeu uma belíssima noite de substanciais golfadas de secreções magníficas por todo o chão do famigerado hotel Le Petit Moulain no Marias em Paris. Magnifique!

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Depp and Ginsberg by the window

Tal qual seus colegas de geração, o grande-amável Allen Ginsberg provou tudo que era tipo de droga disponível à época. Contudo, já muito velho, ele falava que não tinha viciado em nenhuma pois sempre fora um workaholic. Menos o cigarro - que ele chamava de "the killer drug" -, essa droga ele sofreu para se livrar; dizia ter sido obrigado a parar por ordens médicas, pois tinha pressão alta.

Neste vídeo, Johnny Depp conta da experiência que teve com Allen envolvendo o tabaco. Très interesSantíssimo.

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Consignment to Oblivion i.e. an Ignominious End.

"Oh! não proíbam, pois, no meu retiro
            Do pensamento ao merencório luto
            A fumaça gentil por que suspiro.

            Numa fumaça o canto d'alma escuto...
            Um aroma balsâmico respiro,
            Oh! deixai-me fumar o meu charuto!"

                                    Álvares de Azevedo

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