Há um provérbio oriental que diz que o dedo mostra a lua, e que o idiota olha o dedo. Mas, afinal, qual é o medo de olhar o dedo? O dedo passeia no céu, e transmuta-se em si mesmo o tempo todo; e assim, os orientais convidam os homens a gozar o mundo em toda a sua mutabilidade vital. Em outras palavras, para o oriental, as substâncias e os acontecimentos encontram-se numa perpétua transformação, cada um deles exprimindo uma face não-eliminável e complementar dos fenômenos. Mas o curioso é que a única coisa no mundo que foge a esta regra é a própria cabeça dos orientais, ou melhor, o dedo. Por isso, as mandalas ocidentais vêm sempre acompanhadas de uma estranha tensão mental, desconhecida entre os orientais. Uma espécie de vácuo ativo, vazio seminal, que é a essência mesma do humano, negligenciada aos animais.


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