Disse Marcel Duchamp: "O poeta contemporâneo nasce e morre num hospital – portanto, também deve morar num hospital". Ou seja, em toda a atividade que não é exercida por dinheiro, mas por amor, chega um momento em que o acúmulo de décadas parece levar a nada. É como se a velha Arte ineficiente tivesse adormecido sobre um formigueiro; e quando Duchamp a despertou, as formigas tinham entrado em seu sangue, e desde então a nova poesia precisa fazer movimentos incessantes, sem conseguir se livrar desse chatíssimo fanatismo pela auto-aniquilação. Em outras palavras, eu diria que a poesia pós-contemporânea é como um ovo que pressente na gema seu magnífico futuro de pássaro, mas mostra ao mundo apenas aquele design de ovo, inexpressivo, que não se distingue de nenhum outro.
