Pra cada Rimbaud,
tem sempre um Godoh!

Ponho em dúvida a significação teórica da reflexão sobre mim mesmo, uma vez que, falando de minha dúvida, reflito, e achando que há valor em minha enunciação, pressuponho que minha reflexão possua real e indubitavelmente o referido valor teórico posto em dúvida, não se modificando a situação objetiva da minha existência e não falhando o ser da evidência irrefletida em sua passagem traumática para o ato reflexivo em questão; sei, entretanto, que não apenas estou aqui, e sou assim como sou, agindo e pondo em dúvida a significação teórica da reflexão sobre a minha existência, mas sei também que sou, ao mesmo tempo, nesta ação e nesta dúvida, a origem de minha própria indagação e de minha própria essência; com efeito, o que sou, evidentemente, fica ainda em aberto, visto que ainda vou decidir, já que a escolha é a expressão da consciência que, numa decisão livre, não só atua no mundo, mas também cria a sua própria essência na continuidade histórica; por isso, ainda não sou, mas esse não-ser, como não-ser-definitivo, será iluminado pela certeza existencial de meu ser-como-cogito-
no-mundo-em-si, uma vez que, escolhendo e duvidando, me torno fim em tal resolução, pressupondo implicitamente em minha dúvida, como condição de possibilidade de sua validez, tudo aquilo que nego em relação à significação teórica da reflexão sobre mim mesmo.
