
Como disse o poeta Philippe Pinel, é difícil não ver Chimia Geral como um "teatro de operações", isto é, uma espécie de "encenação clínica" das grandes tragédias pós-humanas: "Chimia Geral é o templo no qual o Homo Sapiens se encontra com a sua própria negação", afirma o poeta, em sua célebre "Introdução ao Entorpecimento Intersubjetivo".
Em outras palavras, uma vez que a identidade castelhana se deriva da passionalidade, é natural, para Pinel, que a "razão tupiniquim" mostre toda a sua força em Chimia Geral, "pondo a nu a doméstica labilidade intelectual do gaúcho platino". (Trata-se, em última análise, do que o próprio Fabio Godoh chama de pós-literatura, ou seja, "uma melancolia niilista que nos permite enxergar com clareza o desfecho sempre mutilante do conflito entre a busca do prazer e o medo do sofrimento que essa busca pode acarretar".)
Além disso, no nível do "embate das idéias", Philippe Pinel afirma que Chimia Geral forma parte de um verdadeiro "cenário anti-oswaldiano", no qual duas "formae mentis" seculares se enfrentam, ora como oposição "mente-corpo", ora como o dilema "psíquico-físico". (Por outro lado, sob o ponto de vista da teoria médica, Pinel afirma que "Chimia Geral funciona como um sexy mecanismo de oposição entre valores moralistas e organicistas da sociedade brasileira".)
Em síntese, Chimia Geral é uma "sombra totalitária" que eclode no século 21 como um espelho acabado da comédia humana existencial: "Não é sem motivo que o teatro, a loucura e a explosão devastadora do desejo reprimido em forma de tragédia sempre tenham andado juntos em Fabio Godoh, desde os obscuros tempos de andarilho iletrado na avenida Osvaldo Aranha", completa Pìnel.
(Entretanto, segundo ele, Chimia Geral constitui-se ainda num "anti-espaço burocrático", onde a força do instinto pós-literário atropela o frágil autocontrole do zoon politikon provinciano, desnudando a violência sutil e instituidora da norma".)

o que mais me impressiona, é sempre o desprendimento sem pudor nem outro descarrego com que tu contas as coisas todas. que tão íntimas e tão claras, acabam parecendo quase minhas.
Posted by: josi | 07/02/2007 at 03:54