Depois que lancei a âncora do Marketing Poético nesta província gordurosa e lobotomizada, muitos equívocos foram engendrados em nome de Nenhuma Poesia. Dessa forma, cabe aqui algum esclarecimento. Observe, em primeiro lugar, a seguinte vaginação longitudinal:
A moda,
Assim como a arte de ultravanguarda,
É a alegria da ilusão do câmbio.
Portanto, creio que
Ao poeta
Não resta outra alternativa,
Em ambas as atividades,
Senão forjar suas simbologias exaustas
A partir do conceito de
Publicidada.
Eu encontrei o conceito de Publicidada pela primeira vez em Osvaldo de Andrade, e também no livro Introdução ao Entorpecimento Intersubjetivo, de Xavier Solomon. Naquele tempo, eu já havia me dado conta de que procurar o conceito de Publicidada era a minha sina; emblema de todos aqueles que saem à noite sem qualquer finalidade exata; razão de todos os incineradores de livros. No entanto, o que me exasperava era saber que nunca mais voltaria a estar tão perto de minha liberdade quanto estive na época em que me sentia encurralado pela Literatura, quando a ansiedade de libertar-me não passava de mera confissão de derrota.
Em segundo lugar,
Com relação à Literatura
Propriamente
Dita,
Devo informar que o Marketing Poético
Antecipa, com efeito,
As trêsTendências
Fundamentais
Da Pós-Contemporaneidade:
A poesia inexistente (tambémChamadaTotalitária);
O Consumo
Do Vazio (a tarefa mais
Difícil que nos foiImposta,
A maior e última
Prova, para a
QualTodas as outras
São apenas
Uma preparação);
E,
Por fim,
O amor
Das criaturas humanas (Estrategismo Sexual),
Pois sexo bom
É sexo pago.
Entretanto, o que denomino Marketing Poético, em última análise, só pode ser compreendido (em toda a sua magnitude) à luz do que o estilista Joõo Mognon definiu como a Lógica da Pornografia Sociologizada: "Primeiridada" – Visualidade menos o Emotion Design; "Secundidada" – Tatilidade mais uma Flanela xadrez de Referências; "Pamplicidada" – Vibração entre a Chimia da Primeiridada e o Charque da Secundidada: Ou seja, uma espécie de terceira superfície lingüística, Tão atraente quanto a primeira pele da vida.
Assim, fica claro,
Pois,
que Nenhuma Poesia
Não apenas representa um código vitorioso
De sobrevivência no mercado
(Como alguns souberam argumentar),
Mas, sobretudo, a própria essência de Deus,
Isto é, o
Processo
Interminável por meio do qual
O corpo
É decodificado
E recodificado,
Definindo e habitando
Os mais novos espaços territorializados
Da alma do capital.
("Nosso ócio é traduzir letras por cifras",
disse
Monsieur
Matzenbacher
.
)
Pois bem, caro leitor, decorreu muito tempo desde que articulei, com tanto ímpeto,toda essa gama de descobertas maravilhosas. Mas não me guarde rancor por isso; trabalho, incômodos e indisposições impediram-me de enrijecer a envergadura cósmica de Nenhuma Poesia. Agora, todavia, sinto-me outra vez um pouco melhor, e venho cumprimentá-lo (o que faço com tanto gosto) e dizer-lhe,o melhor que posso, 10 sentenças definitivas a respeito de todo este blá-blá-blá que é a Literatura.
1
Devo esclarecer que a Literatura não me interessa; afinal, os grandes escritores não escrevem livros.
2
A sabedoria é silenciosa, e a propaganda mais efetiva para a Verdade é a força do exemplo pessoal: "Na ossada geral brasileira, alguém tem de exercer as funções de chimia e ovo".
3
O Silêncio Literário, objetivamente, não é uma revelação externa: a Literatura é aprendida, ao passo que o Silêncio é Abscôndito, e está profundamente enraizado em nossa Anatomia Atonal da Anotabilidade Social – onde, segundo os Cadernos de Noah, "anotar é não notar".
4
De Prof. Homero a Paulo Coelho, nós vivemos um estrondoso Silêncio Interno.
5
Portanto, amigo leitor, quando digo que não tenho o que escrever, quero dizer, literalmente, que não tenho o que escrever; se dissesse que tenho Algo a dizer como escritor, seria um péssimo escritor – melhor que eu fosse um jornalista, apesar de saber que estou exatamente entre essas duas possibilidades.
6
O bom escritor, ao contrário do jornalista, prefere dar a seus aleijados psíquicos pernas em vez de muletas – e é nisso que a coisa se resume: a obra é um roubo e o leitor é um bobo. Aliás, como explicou Dieguinho Petrarca, "poeta que é poeta vinte e quatro horas por dia faz na cama o mesmo que faz no papel".
7
Por isso, quando escrevo Algo Literário, não se trata, evidentemente, de Literatura em relação a Algo: trata-se apenas de literatura, do mesmo modo que ao entrar numa greta molhada, o pau também fica molhado.
8
A moda é muda, a saga é cega, a porra – espirra.
9
Os dadaístas, com o gesto de fornicação, desejam renunciar ao estético presente no Social, ocultando o caráter mercadológico da Poesia Politizada. Já o artista pop, ao copiá-lo, aceita-o como objeto de trabalho, como tema, e assim a Obra de Arte assume a imagem da misericórdia, sem disfarces.
10
Observe, estimado leitor, que estou me referindo a uma Poética, estou falando sobre o conteúdo do meu conteúdo; por isso, quando digo que só-é-livre-quem-se-livra-dos-livros, quero dizer, literalmente, que o-Maradona-é-melhor-que-o-Pelé. (E tenho dito.)
Fabio Godoh, inverno de 2008.
Hello!I have been meaning to get in touch for ages. Congratulations on your tlaosratinn of Edwin Morgan's poems. I met Stefanie and Josh who told me you were coming to Edinburgh please get in touch! I would love to see you.Life has been a bit mad for me the last 2 years, generally not in a good sense.Can you send me an email?LoveRenata
Posted by: Poa | 05/13/2012 at 02:00 AM
Contestação: Como assim sexo bom é sexo pago? Por favor, reveja seus doces conceitos.
Posted by: Rabebarolim | 09/26/2012 at 12:09 PM