Queiram ou não queiram, gostem ou não gostem, aceitem ou não aceitem – a verdade é uma só: Di Martino é sucesso! Compositor anti-popular, jornalista de protesto e presidente da associação "Deus, Pátria e Família", Dário Di Martino ascendeu ao status de microcelebridade eleitoral em 2006, quando transformou a caretice do horário político num divertido happening de insubmissão e ultraconservadorismo. ("O problema da direita é que ela é muito boca-aberta!") Hoje em dia, Di Martino comanda o luxuoso Doa a quem doer, um programa de variedades anti-comunistas que vai ao ar pelo Canal 6, da NET. Além disso, é responsável pelo livro É proibido – uma ardente obra-prima do "caça às bruxas" querenciano – no qual defende, em estilo impecável e refinado, a imediata proibição da foice e do martelo em território nacional: "Quero tirar das entranhas da poeira a preciosidade da história e da verdade", revela o autor, que nos recebeu para esta entrevista numa aconchegante padaria da Cidade Baixa.
Por que ninguém admite ser de direita?
Porque a esquerda fez uma lavagem cerebral no Brasil. O próprio Che Guevara, por exemplo, que não passa de um assassino como qualquer outro, foi transformado em herói pelos comunistas! E o que sobra para quem ousa denunciar as atrocidades da guerrilha na América Latina? Ora, acaba sempre abafado pela mão democrática do silêncio! É por isso que eu digo: o grande problema da direita é não saber trabalhar com a comunicação.
Proibir o uso do símbolo comunista seria um atentado contra a mão democrática do silêncio?
Bem, em alguns casos, a democracia pode até ser perigosa. Não esqueça que Hitler foi eleito democraticamente! Mas a questão é muito simples: da mesma forma que a suástica não é permitida no Brasil, eu defendo que a foice e o martelo também sejam proibidas. Afinal, o nazismo matou quase 20 milhões de seres humanos, e deve ser condenado por isso, mas o Stálin matou 60 milhões, o Mao Tsé-tung, 40 milhões, e o Lênin, 10 milhões! Quer dizer, perto deles, o Hitler é cafezinho!
O Golpe de 1964 também matou muitas pessoas no Brasil. Mesmo assim, o senhor parabeniza os militares em seu livro.
Em primeiro lugar, a esquerda trucidou tanta gente em 64 quanto os militares. Fidel recém tinha tomado o poder em Cuba, e os "camaradas" estavam empolgados com a possibilidade de uma ditadura comunista no Brasil. Além disso, a população se dividiu, e muitos jornais exigiam uma atitude do exército. Portanto, o grande mérito do golpe foi restabelecer a ordem no país... Houve mortes? Sim. Mas dos dois lados!
E por que o senhor optou pelo lado dos militares?
Porque a direita é menos falsa do que a esquerda! E também porque aprecio muito o senso de organização e disciplina dos militares. Mas a verdade é que eu entrei na política pelo PT, nos anos 80... Só podia ser doente mesmo! Mas logo o partido percebeu que eu era muito "burguês" para a revolução. E sabe por quê? Porque eu não tinha a agilidade necessária para abrir uma garrafa de refrigerante como eles! Nunca mais esqueci disso! Enfim... Os socialistas adoram alimentar a utopia da transformação, mas quando chegam ao poder, fazem exatamente o contrário! E o PT é o maior exemplo dessa contradição.
O senhor considera o Lula um homem de direita?
Muitos dizem que ele é a "direita da esquerda", mas acredito que ele seja apenas uma marionete bem plantada. Aliás, nem sei se há esquerda no Brasil, pois o PSOL, o PSTU e o PC do B, por exemplo, não são partidos, são peças de teatro. Falam em democracia, em liberdade, mas o que eles querem, no fundo, é fazer a luta armada!
Che Guevara era uma peça de teatro?
Eu diria que era uma peça publicitária. Afinal, ele nunca lutou em nome do povo, mas apenas em nome do comunismo! Na época, havia duas ditaduras brigando pelo domínio do mundo: a da direita e a da esquerda. E os comunistas, naturalmente, estavam decididos a emplacar a deles.
É verdade que o senhor compôs uma canção em homenagem ao Che?
Sim, é uma canção de protesto... De direita, mas de protesto! É mais ou menos assim: "Os meus professores não disseram a verdade / Esse Che Guevara é uma barbaridade / Numa carta para a esposa, ele falou / Estou sedento de sangue, meu amor!" Aí entra o refrão: "Não quero Che Guevara, não quero Cuba! / Eu quero liberdade, eu quero paz! / Eu quero liberdade, não quero Fidel / Eu quero um mundo menos cruel!" E a música é assim mesmo, bem dançante, pois não é à toa que sou o maior fã dos Bee Gees aqui em Porto Alegre! Tenho até uma tatuagem deles aqui no braço! Enfim, é aquilo que eu disse antes: a direita precisa aprender a se comunicar!
Por isso a sua preocupação performática no horário eleitoral?
Exato. Eu percebi que ninguém prestava atenção no horário político, então procurei elaborar uma movimentação diferente, aparecendo de costas, caminhando, ou seja, a idéia era mesmo contrastar com o jeito robótico da maioria dos candidatos. Mas o importante é que eu tocava num assunto muito sério, que é a insistência da esquerda em defender os criminosos. Chega! Direitos humanos só para as vítimas!
O que é a Associação Deus Pátria e Família?
É um núcleo de estudos sobre o integralismo. Não temos a intenção de fazer grandes manifestações ou divulgações... Somos apenas um grupo de admiradores da obra de Plínio Salgado.
E qual a importância de Plínio Salgado para o Brasil?
Na minha opinião, ele foi o homem mais importante da nossa história. Um exemplo de jornalista, de democrata, enfim, um verdadeiro mestre nacionalista! Acabou sendo preso e exilado em 39, ao recusar um convite do Getúlio Vargas... O Getúlio disse pra ele: "Ou o senhor vem trabalhar comigo ou o integralismo será banido do Brasil." Mas o Plínio não aprovava o autoritarismo do Estado Novo... Tanto é que apoiou o fechamento do Partido Comunista, em 35, mas foi radicalmente contra a extinção de todos os outros partidos, em 37. Mesmo assim, acabou sendo tachado de fascista, de ditador... Mentira! Prova disso é que ao retornar do exílio, em 46, ele foi nomeado Secretário de Migração e Colonização do governo Juscelino Kubitschek! Mas isso ninguém fala, porque não interessa.
O senhor ainda acredita na salvação do País?
Olha, eu já fui tão nacionalista quanto o Enéas, mas confesso que hoje sinto vergonha de ser brasileiro. Em 2006, por exemplo, o PRONA se fundiu com o PL, em virtude da cláusula de barreira. Então, resolvi ingressar no PSC, mas logo o partido apareceu envolvido com maracutaias... Portanto, estou com nojo da política! Sinceramente, acho que vale mais a pena continuar com o meu programa na TV, do que falar dez segundos no horário eleitoral, sabendo que eu nunca vou me eleger, pois não consigo ser agradável como os outros!
E o que significa ser desagradável?
Significa ter firmeza de opinião. Atualmente, ficou impossível diferenciarmos o que é direita e o que é esquerda no Brasil. Tudo foi misturado de propósito, para que ninguém identifique a ideologia de nada. É o que eu chamo de "processo cíclico da idiotização". Ou seja, sempre que um sujeito aparece falando com muita firmeza e convicção, eles logo dão um jeito de derrubar a casa!
O senhor tem alguma opinião firme e convicta sobre a Lei Seca?
Eu acho que vale a pena. Os comerciantes não vão gostar, é claro, mas a verdade é que o álcool incita o indivíduo a cometer atos imbecis. E digo isso porque moro aqui na Cidade Baixa, onde vejo muita agressão, sujeira e vulgaridade por causa da bebida. Neste ponto, sou mesmo conservador, e acredito que a atual diluição dos valores morais seja culpa da esquerda brasileira! Enfim... Hoje em dia não há mais limites para nada, e é por isso que a população começa a se lembrar do regime militar!