Chimia Geral

O QUE SÃO OS DIREITOS HUMANOS?

 

Eu perguntei ao poeta o que significava Direitos Humanos. Ele respondeu:

"Direito à vida, direito a não ser torturado, direito a ter um nome, direito de ter uma nacionalidade, uma família etc. etc. etc. "

A pergunta é: o QUE SÃO os Direitos Humanos, e não QUAIS SÃO esses direitos.

Então dei uma olhada na bibliografia canônica – àquela a que todos sempre apelamos na hora do aperto filosófico – e descobri que o conceito é sempre o mesmo:

"Diretos Humanos – (1) Direito que nós, (2) os seres humanos, temos (3) devido a nossa dignidade intrínseca (4) anterior a seu reconhecimento por parte de qualquer Estado e (5) de caráter inalienável."

(1) Primeiro: o Artigo 28 da Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura que todas as pessoas têm o direito de que se estabeleça uma ordem social e internacional capaz de garantir a aplicação dos Direitos Humanos. A qual tribunal podemos reclamar esse direito?

(2) Segundo: Por que razão cósmica os humanos são tão importantes a ponto de formarem um monopólio natural sobre esses direitos? Quer dizer, só eles vivem no planeta? Ou como disse o poeta, "parece que, como espécie, os humanos são tremendamente chauvinistas".

(3) O terceiro ataque vai contra tal "dignidade intrínseca". Este é um ponto em que não há o menor rastro de consenso entre os humanos. Todos os que pensam sobre o assunto acabam divergindo, e as propostas mais viáveis são as mais incompatíveis, além de sempre ensejarem exceções significativas. Por exemplo, alguns dizem que essa tal dignidade intrínseca seria a "autonomia" dos humanos, outros o "seu caráter consciente", ou mesmo a "sensibilidade perceptiva e afetiva" etc. etc. etc. Enfim, as ideias são numerosas, e não há o menor acordo entre eles. Sinceramente, alguém acredita que exista esse tipo de dignidade – incondicional? 

(4) Por fim, afirmar o caráter "inalienável" dos Direitos Humanos é um estupro! São direitos aos quais não podemos renunciar! Como eles dizem: "Não podem negá-los porque eles devem estar inscritos em sua natureza".

Qual será o nome da seita fundamentalista que elaborou esse manifesto nazista?

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A. L. F. — O Filme

Frente de Libertação Animal

O Animal Liberation Front ganhou as páginas dos jornais americanos quando, em 1984, seus membros invadiram o laboratório do Dr. Thomas Gennarelli, na Universidade da Pensilvânia, quebraram os computadores, danificaram os equipamentos e confiscaram uma boa quantidade de videotapes.

Essas gravações, que depois foram parar na televisão, mostravam macacos já lesionados recebendo sérios golpes na cabeça. Os animais feridos, cujos membros debatiam-se de forma desesperada, estavam amarrados a cadeiras, enquanto os pesquisadores os espancavam a pretexto de fazê-los reagir.

Nas gravações, inclusive, a equipe de pesquisadores "graceja" sobre os ferimentos dos macacos, e o Dr. Gennarelli, ao melhor estilo NAZIFASCISTA, refere-se aos animais como "imbecis".

O filme de Jérôme Lescure, por sua vez, conta a história desta "auto-organização" de humanos REVOLTADOS CONTRA A CRUELDADE DA PRÓPRIA ESPÉCIE, que hoje em dia possui células espalhadas por todo o planeta. Pessoas que vestem o capuz negro para libertar TODOS OS TIPOS DE ANIMAIS TORTURADOS em laboratórios, circos, fazendas de pecuária industrial, zoológicos, museus ou mesmo em indústrias que fornecem animais para as mais diversas atividades. 

 

 

O drama foi rodado em 2010 e a previsão de lançamento é 2012. Já existem notícias que vai sair em DVD. De acordo com os produtores, a América Latina receberá cópias.

 



Peter SInger

 

 

PETER SINGER:

 

 

"A comunidade científica dos Estados Unidos está ALARMADA. Muitos laboratórios aumentaram seus dispositivos de segurança, porém essa é uma questão dispendiosa e o dinheiro investido em grades e agentes de segurança não estará mais disponível — que é exatamente o que desejam os ativistas da A. L. F. A colocação de guardas em cada fazenda industrial seria ainda mais dispendiosa." 


"Não admira que alguns dos que usam animais em suas experiências ou criam animais para corte alimentem a esperança de que a libertação dos animais se revele uma moda passageira. Essa esperança está fadada à frustração. O movimento de libertação dos animais chegou para ficar."

"Existe um apoio amplo do público para o ponto de vista de que não se justifica tratarmos os animais como simples objetos a serem usados para qualquer objetivo que nos pareça conveniente, seja o entretenimento numa caçada ou, no papel de ferramenta de pesquisa laboratorial, como em testes de novos corantes alimentícios".

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Henry Spira

Henry Spira

 

PEQUENA AULA DE ATIVISMO COM UMA DAS MENTES MAIS BRILHANTES DO NOSSO TEMPO

 

Quando Henry Spira tinha 12 anos de idade, sua família vivia no Panamá. O pai tinha uma lojinha que não ia nada bem. No intuito de economizar dinheiro, a família aceitou de um amigo abastado o convite para hospedar o garoto em sua casa. Esta era uma mansão que ocupava uma quadra inteira da cidade.

Um dia, dois homens que trabalhavam para o dono da casa perguntaram a Henry se gostaria de acompanhá-los quando fossem recolher o dinheiro dos aluguéis. Ele foi, e constatou o modo como era financiada a existência luxuosa do benfeitor de seu pai: entravam nos cortiços e ameaçavam os pobres com armas na mão.

Na época, Henry não tinha a menor ideia do que era "a esquerda", mas a partir daquele dia tornou-se parte dela. Mais tarde, mudou-se para os Estados Unidos, converteu-se em trotskista, trabalhou como marinheiro, foi parar na lista negra durante o período macarthista, foi para o sul apoiar a população negra, abandonou os trotskistas por haverem "perdido contato com a realidade", e lecionou para crianças do gueto de Nova York.

Como se não bastasse, leu o livro "Libertação Animal", de Peter Singer, em 1973 e resolveu que aí estava mais um grupo de seres explorados que necessitavam de ajuda. Henry Spira tornou-se o ativista norte-americano que conseguiu pela primeira vez ganhar alguns pontos na luta pelos direitos dos animais — luta que tinha sido até então completamente infrutífera.

Spira conseguiu lutar eficazmente contra a experimentação em animais levada a cabo pelas grandes multinacionais de cosméticos e ganhar batalhas no que respeita ao modo como os animais são abatidos nos matadouros. Tornou-se, a partir de então, o mais eficiente ativista individual do movimento pelos direitos dos animais dos Estados Unidos.

A sua verticalidade ética e o fato de ser uma pessoa que sabia exatamente quais eram os seus objetivos — "diminuir o sofrimento a que os animais são desnecessariamente sujeitos pelo seres humanos" — fez de Spira um caso único no ativismo mundial, garantindo o respeito das próprias grandes companhias contra as quais ele muitas vezes lutou. Essas grandes companhias percebiam rapidamente que Spira lutava por um objetivo nobre e não para se autopromover.

Um dia, questionado sobre o por que de ter passado a vida trabalhando por essas causas, Spira respondeu: "Eu sempre estive do lado dos fracos, e não dos poderosos, do lado dos oprimidos, e não dos opressores, do lado dos que são montados, e não dos que montam."

Spira morreu em 1998.

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O GRANDE EQUÍVOCO DA HUMANIDADE

Dizem frequentemente que a vida é sagrada. 

Mas quase nunca isso é dito no sentido literal. Não se quer dizer que a vida seja sagrada em si, como parecem indicar as palavras. Se assim fosse, matar um rato ou arrancar um repolho pareceria tão hediondo quanto matar um ser humano.

Quando dizem que a vida é sagrada, as pessoas têm em mente a vida humana. E a concepção de que a vida humana tem um valor "santificado" está profundamente enraizada em nossa sociedade e é inclusive consagrada em nossas leis. 

Mas por que deveria a vida humana ter um valor especial?

 

LIBERTAÇÃO ANIMAL

FRÁGEIS DEFESAS
DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL
DE ANIMAIS

 

 

Peter Singer

Argumento 1

 

 

 

 

Algumas vezes se diz que não temos nenhuma obrigação em relação aos animais, já que eles são incapazes de manterem obrigações em relação a nós. Isso tem sido argumentado por aqueles que acreditam que a base da ética é algum contrato do tipo "eu não prejudico você se você não me prejudicar".

Os animais não têm como concordar com um contrato e, assim, estão fora da esfera da moralidade. Mas o mesmo deveria se aplicar, sob este ponto de vista, a bebês e a pessoas com graves deficiências mentais. Será que de fato não temos obrigações em relação a eles também?

Um problema ainda maior da "visão contratual da ética" é que isso nos livra de obrigações também em relação às futuras gerações. Poderíamos economizar muito dinheiro e esforço para a nossa própria geração se armazenássemos dejetos radioativos em contêineres produzidos para durar apenas 100 anos.

Se tivéssemos obrigações somente com aqueles que têm obrigações em relação a nós, por que isso seria errado?

Há uma velha piada que diz: "Por que eu deveria fazer alguma coisa para a posteridade? O que a posteridade já fez por mim?" O problema com os defensores da visão contratual é que eles não entendem a piada.

 

Peter Singer

Argumento 2

 

 

 

 

Quando questões éticas são levantadas sobre o consumo de carne, muitas pessoas usam o que pode ser chamado de a "defesa de Benjamin Franklin".

Franklin foi vegetariano por muitos anos até que um dia, ao observar seus amigos pescando, ele notou que alguns dos peixes que eles pegavam haviam comido outros peixes. Assim, ele disse para si mesmo: "Se vocês comem uns aos outros, eu não vejo motivo para que eu não coma vocês".

O argumento aqui é o seguinte: "Se um ser trata os outros de uma maneira específica, os seres humanos têm o direito de tratar esse ser de maneira equivalente". Entretanto, essa ideia não se sustenta nem lógica nem eticamente.

De forma acertada, não costumamos considerar o comportamento dos animais como um modelo de como podemos tratá-los. Por exemplo, não justificaríamos partir um gato em pedaços porque observamos um gato partindo um rato em pedaços.

Peixes carnívoros não têm escolha entre matar outros peixes ou não. Eles matam movidos pelo instinto. Por outro lado, os seres humanos podem escolher se abster de matar ou comer peixes e outros animais.

Como alternativa, o argumento poderia ser elaborado assim: "Se é uma parte da ordem natural haver predadores e presas, então não seria errado para nós assumirmos nossa posição nessa ordem".

Mas esse "argumento da natureza" pode justificar todos os tipos de injustiça, incluindo o domínio dos homens sobre as mulheres e deixar os doentes e velhos à sua própria sorte.

Mesmo se o argumento fosse sólido, entretanto, ele funcionaria apenas para aqueles que vivem em uma sociedade de caçadores e coletores, já que não há nada de "natural" nas nossas formas de criar animais.

Quanto ao argumento de Franklin sobre "o peixe que comeu outros peixes", trata-se, como provado acima, de um "uso seletivo" de um argumento que rejeitaríamos em todos os outros contextos.

Franklin foi um observador suficientemente sério de sua própria natureza para reconhecer como estava sendo seletivo, já que admite que essa justificativa para comer peixe só lhe ocorreu quando os peixes estavam sendo fritos e cheiravam "admiravelmente bem".



Peter SingerArgumento 3

 

 

 

As defesas mais refletidas para comer carne vêm de escritores que condenam com mais força a produção industrial: Michael Pollan e Roger Scruton.

Falei de Pollan no post passado. Quanto a Scruton, é preciso que se diga que sua educação em filosofia o leva a elaborar sua "defesa para matar animais pelo alimento" em bases mais filosóficas do que Pollan.

Ele escreve: "Os seres humanos são conscientes de sua vida e de si mesmos; eles têm ambições, esperanças e aspirações; logo, ser interrompido antes do tempo é trágico, já que os humanos se realizam pelos seus feitos e não meramente pelos seus confortos. Por outro lado, animais como vacas e bois não antecipam realizações futuras nem tentam fazer nada que tornará sua vida mais realizada".

Brilhante! Scruton está certo! Entretanto, parece que ele não percebeu que seu argumento implica que seria permissível matar humanos que, em virtude de profundas deficiências intelectuais, não são conscientes de sua própria vida e não antecipam realizações futuras!

Portanto, as pessoas que considerarem essa conclusão chocante demais para aceitar não podem defender matar animais pela carne com base no argumento de que os animais não possuem as habilidades mentais superiores que fazem com que seja errado matar seres humanos normais.




Peter SingerArgumento 4

 

 

 

Outra defesa interessante para o consumo de carne vem do ensaísta Leslie Stephen, pai da romancista Virginia Woolf. Com ele a palavra:

"De todos os argumentos para o vegetarianismo, nenhum é tão fraco quanto o argumento da humanidade. O porco tem um interesse maior do que qualquer pessoa pelo consumo do bacon. Se todo o mundo fosse judeu, não haveria mais porcos. Isso, portanto, nos dá autoridade moral para comê-los, mas somente se comprarmos de produtores que façam de tudo o que puderem para produzi-los de forma honrosa, moral e responsável."

Muito bem, o argumento aqui é o seguinte: comer carne de fazendas que proporcionam uma boa vida aos porcos não pode ser ruim para os porcos, uma vez que, se ninguém comer carne, os porcos não existiriam.

Mesmo havendo uma falácia filosófica nesse argumento (pois não podemos considerar uma coisa boa o simples fato de trazer um ser à vida, assim como não pensamos em trazer pessoas à existência como uma forma de beneficiá-las), mesmo com essa falácia, suponhamos aceito o argumento.

Entretanto, para comer porcos, precisamos matá-los antes, de forma que matá-los deve ser justificável.

Neste ponto, Stephen parece sentir um desconforto em relação ao seu próprio argumento, já que reconhece que utilizou um argumento "utilitário" para comer carne e lembra que "os utilitaristas também podem justificar matar órfãos retardados".

Então ele procura o seu fornecedor de porcos, chamado Joel Salatin, que supostamente produz os animais de forma honrosa, moral e responsável, e pergunta: "Como você consegue matar um porco?"

Salatin responde: "As pessoas têm alma, os animais não têm. Esta é uma crença antiga minha. Diferente de nós, os animais não foram criados à imagem de Deus, então, quando eles morrem, eles simplesmente morrem".

Stephen não comenta a resposta do produtor.

 

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Conclusão


José Lutzenberger


1. O argumento em favor do vegetarianismo se expressa com máxima veemência quando é considerado um PROTESTO MORAL contra a utilização que fazemos dos animais como meros objetos a serem explorados para nossa conveniência, sob qualquer forma que os coloque ao nosso dispor, pelo menor custo possível.

2. Mesmo quando os animais são criados soltos e "livres" em grandes áreas, as operações como marcação a ferro quente, castração, extração de chifres, corte de bicos e mutilações em geral (feitas sempre sem anestesia) são realizadas sem a menor consideração pela capacidade de sofrimento dos animais. E o mesmo pode ser dito da manipulação e do transporte anteriores ao abate.

3. A resposta é fazer BOICOTE a toda produção de carne e ovos obtida com o emprego de métodos comerciais de produção animal em larga escala, e estimular os demais a fazerem o mesmo. A consideração pelos interesses dos animais é, por si só, uma justificativa suficiente para essa reação; mas o argumento pode ser fortalecido ainda mais pelos problemas ambientais acarretados pela indústria da carne.

4. A indústria das carnes, como um todo, continua sendo culpada pela maior parte da devastação da floresta tropical e por todas as consequências desse ato, desde o aquecimento global até as mortes de populações indígenas que lutam para defender seu estilo de vida.

5. Cada dia mais, os ambientalistas estão reconhecendo que a escolha do que comemos é uma questão ambiental. Os animais que são criados na pecuária industrial alimentam-se de cereais e soja, e utilizam a maior parte do valor nutricional desses produtos simplesmente para a manutenção de funções básicas e para o desenvolvimento de partes não-comestíveis, como os ossos. A conversão de oito ou nove quilos de sementes ricas em proteínas em um simples quilo de proteína animal acarreta o desperdício de terra, de energia, e de água. Num planeta superpovoado, cuja população continua em crescimento, este é um luxo que está ficando cada vez mais difícil de manter.

6. A produção animal intensiva é uma grande usuária de combustíveis fósseis e a principal fonte de poluição, tanto do ar, quanto da água. Estamos nos arriscando a imprevisíveis alterações no clima de nosso planeta - o que quer dizer, a vida de bilhões de pessoas, para não falar da extinção de milhares e milhares de espécies da flora e da fauna, incapazes de sobreviver à mudança de condições - tudo isso para vender mais hambúrgueres e picanhas.

7. Enfim, uma dieta carregada de produtos animais, para a qual contribui a produção animal intensiva, é desastrosa para os animais, para o meio ambiente e para a saúde de quem come.

 

 

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Libertação Animal

  Peter Singer

De um tempo para cá, os ativistas da libertação animal vêm se envolvendo em debates acalorados e em ativismos socialmente suicidas.

Ainda que a teoria da libertação animal jamais seja levada a sério sequer pela intelectualidade ambientalista de esquerda, muitos artistas e filósofos começaram a reconhecer sua legitimidade não apenas como uma causa válida, mas como um aspecto integral e indispensável da mudança de paradigmas necessária para a urgente evolução cultural de nossa espécie.

Embora a maioria das pessoas que simpatizem com a vanguarda contracultural ainda não tenha adotado a libertação animal e seu correspondente estilo mínimo de vida – o vegetarianismo – um crescente número de jovens libertários e socialmente sucidas vem adotando o pensamento da Ecologia Profunda Contemporânea, que vê a inclusão ambiental das espécies torturadas pela animalidade humana como parte de sua práxis essencial.

Do mesmo modo, muitos abolicionistas começaram a receber a influência do pensamento ecorrevolucionário e de seu rico paideuma literário. Isso se torna evidente ao observarmos a crescente hostilidade entre alguns ativistas da libertação animal em relação ao comportamento capitalista, sexista, racista e etarista, cuja guerra contra os animais não humanos e seus defensores vem crescendo em sangue.

A relativamente nova comunidade de abolicionistas animais (ou de animais abolicionistas) está rapidamente se dando conta da totalidade de forças que alimentam esta “máquina especista” que é a sociedade moderna.

E enquanto esta consciência germina, nós, os ecorrevolucionários da contracultura pós-contemporânea, esperamos o fim de 2012 com as lentes da mecânica quântica e a anima libertada de Jung.

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Chimia Geral Sessions

 

 

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Chimia Rock Circus

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todo caminho que sigo
é por amor ao perigo

toda menina que amo
é por amor ao engano

todo silêncio que falo
é por amor ao que calo

toda verdade que minto
é por amor ao que sinto

todo poema que faço
é por amor ao fracasso 

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Meu nome é Di Martino!

         Di Martino

Queiram ou não queiram, gostem ou não gostem, aceitem ou não aceitem – a verdade é uma só: Di Martino é sucesso! Compositor anti-popular, jornalista de protesto e presidente da associação "Deus, Pátria e Família", Dário Di Martino ascendeu ao status de microcelebridade eleitoral em 2006, quando transformou a caretice do horário político num divertido happening de insubmissão e ultraconservadorismo. ("O problema da direita é que ela é muito boca-aberta!") Hoje em dia, Di Martino comanda o luxuoso Doa a quem doer, um programa de variedades anti-comunistas que vai ao ar pelo Canal 6, da NET. Além disso, é responsável pelo livro É proibido – uma ardente obra-prima do "caça às bruxas" querenciano – no qual defende, em estilo impecável e refinado, a imediata proibição da foice e do martelo em território nacional: "Quero tirar das entranhas da poeira a preciosidade da história e da verdade", revela o autor, que nos recebeu para esta entrevista numa aconchegante padaria da Cidade Baixa.

 

Por que ninguém admite ser de direita?

Porque a esquerda fez uma lavagem cerebral no Brasil. O próprio Che Guevara, por exemplo, que não passa de um assassino como qualquer outro, foi transformado em herói pelos comunistas! E o que sobra para quem ousa denunciar as atrocidades da guerrilha na América Latina? Ora, acaba sempre abafado pela mão democrática do silêncio! É por isso que eu digo: o grande problema da direita é não saber trabalhar com a comunicação.


Proibir o uso do símbolo comunista seria um atentado contra a mão democrática do silêncio?

 Bem, em alguns casos, a democracia pode até ser perigosa. Não esqueça que Hitler foi eleito democraticamente! Mas a questão é muito simples: da mesma forma que a suástica não é permitida no Brasil, eu defendo que a foice e o martelo também sejam proibidas. Afinal, o nazismo matou quase 20 milhões de seres humanos, e deve ser condenado por isso, mas o Stálin matou 60 milhões, o Mao Tsé-tung, 40 milhões, e o Lênin, 10 milhões! Quer dizer, perto deles, o Hitler é cafezinho!


O Golpe de 1964 também matou muitas pessoas no Brasil. Mesmo assim, o senhor parabeniza os militares em seu livro.

 Em primeiro lugar, a esquerda trucidou tanta gente em 64 quanto os militares. Fidel recém tinha tomado o poder em Cuba, e os "camaradas" estavam empolgados com a possibilidade de uma ditadura comunista no Brasil. Além disso, a população se dividiu, e muitos jornais exigiam uma atitude do exército. Portanto, o grande mérito do golpe foi restabelecer a ordem no país... Houve mortes? Sim. Mas dos dois lados!


E por que o senhor optou pelo lado dos militares?

 Porque a direita é menos falsa do que a esquerda! E também porque aprecio muito o senso de organização e disciplina dos militares. Mas a verdade é que eu entrei na política pelo PT, nos anos 80... Só podia ser doente mesmo! Mas logo o partido percebeu que eu era muito "burguês" para a revolução. E sabe por quê? Porque eu não tinha a agilidade necessária para abrir uma garrafa de refrigerante como eles! Nunca mais esqueci disso! Enfim... Os socialistas adoram alimentar a utopia da transformação, mas quando chegam ao poder, fazem exatamente o contrário! E o PT é o maior exemplo dessa contradição.

 

Di Martino


O senhor considera o Lula um homem de direita?

 Muitos dizem que ele é a "direita da esquerda", mas acredito que ele seja apenas uma marionete bem plantada. Aliás, nem sei se há esquerda no Brasil, pois o PSOL, o PSTU e o PC do B, por exemplo, não são partidos, são peças de teatro. Falam em democracia, em liberdade, mas o que eles querem, no fundo, é fazer a luta armada!


Che Guevara era uma peça de teatro?

 Eu diria que era uma peça publicitária. Afinal, ele nunca lutou em nome do povo, mas apenas em nome do comunismo! Na época, havia duas ditaduras brigando pelo domínio do mundo: a da direita e a da esquerda. E os comunistas, naturalmente, estavam decididos a emplacar a deles.


É verdade que o senhor compôs uma canção em homenagem ao Che?

 Sim, é uma canção de protesto... De direita, mas de protesto! É mais ou menos assim: "Os meus professores não disseram a verdade / Esse Che Guevara é uma barbaridade / Numa carta para a esposa, ele falou / Estou sedento de sangue, meu amor!" Aí entra o refrão: "Não quero Che Guevara, não quero Cuba! / Eu quero liberdade, eu quero paz! / Eu quero liberdade, não quero Fidel / Eu quero um mundo menos cruel!" E a música é assim mesmo, bem dançante, pois não é à toa que sou o maior fã dos Bee Gees aqui em Porto Alegre! Tenho até uma tatuagem deles aqui no braço! Enfim, é aquilo que eu disse antes: a direita precisa aprender a se comunicar!


Por isso a sua preocupação performática no horário eleitoral?

Exato. Eu percebi que ninguém prestava atenção no horário político, então procurei elaborar uma movimentação diferente, aparecendo de costas, caminhando, ou seja, a idéia era mesmo contrastar com o jeito robótico da maioria dos candidatos. Mas o importante é que eu tocava num assunto muito sério, que é a insistência da esquerda em defender os criminosos. Chega! Direitos humanos só para as vítimas!

 

 

 

O que é a Associação Deus Pátria e Família?

É um núcleo de estudos sobre o integralismo. Não temos a intenção de fazer grandes manifestações ou divulgações... Somos apenas um grupo de admiradores da obra de Plínio Salgado.


E qual a importância de Plínio Salgado para o Brasil?

Na minha opinião, ele foi o homem mais importante da nossa história. Um exemplo de jornalista, de democrata, enfim, um verdadeiro mestre nacionalista! Acabou sendo preso e exilado em 39, ao recusar um convite do Getúlio Vargas... O Getúlio disse pra ele: "Ou o senhor vem trabalhar comigo ou o integralismo será banido do Brasil." Mas o Plínio não aprovava o autoritarismo do Estado Novo... Tanto é que apoiou o fechamento do Partido Comunista, em 35, mas foi radicalmente contra a extinção de todos os outros partidos, em 37. Mesmo assim, acabou sendo tachado de fascista, de ditador... Mentira! Prova disso é que ao retornar do exílio, em 46, ele foi nomeado Secretário de Migração e Colonização do governo Juscelino Kubitschek! Mas isso ninguém fala, porque não interessa.


O senhor ainda acredita na salvação do País?

Olha, eu já fui tão nacionalista quanto o Enéas, mas confesso que hoje sinto vergonha de ser brasileiro. Em 2006, por exemplo, o PRONA se fundiu com o PL, em virtude da cláusula de barreira. Então, resolvi ingressar no PSC, mas logo o partido apareceu envolvido com maracutaias... Portanto, estou com nojo da política! Sinceramente, acho que vale mais a pena continuar com o meu programa na TV, do que falar dez segundos no horário eleitoral, sabendo que eu nunca vou me eleger, pois não consigo ser agradável como os outros!


E o que significa ser desagradável?

Significa ter firmeza de opinião. Atualmente, ficou impossível diferenciarmos o que é direita e o que é esquerda no Brasil. Tudo foi misturado de propósito, para que ninguém identifique a ideologia de nada. É o que eu chamo de "processo cíclico da idiotização". Ou seja, sempre que um sujeito aparece falando com muita firmeza e convicção, eles logo dão um jeito de derrubar a casa!


O senhor tem alguma opinião firme e convicta sobre a Lei Seca?

Eu acho que vale a pena. Os comerciantes não vão gostar, é claro, mas a verdade é que o álcool incita o indivíduo a cometer atos imbecis. E digo isso porque moro aqui na Cidade Baixa, onde vejo muita agressão, sujeira e vulgaridade por causa da bebida. Neste ponto, sou mesmo conservador, e acredito que a atual diluição dos valores morais seja culpa da esquerda brasileira! Enfim... Hoje em dia não há mais limites para nada, e é por isso que a população começa a se lembrar do regime militar!

 

 

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Leitura essencial!

Pierre Bayard

Pierre Bayard é o orgulho dos nossos tempos. Verdadeira figura superior de "homem pensante", um dos últimos, talvez, que terão pensado profundamente sobre a complexidade das coisas, numa época em que o mundo lê cada vez menos, e a civilização, dia após dia, parece reduzir-se à simples lembrança de sua riqueza multiforme e de sua produção intelectual livre e superabundante.

Assim, para a salvação geral da turba ignorante e coisificada, Bayard acaba de lançar, pela editora Objetiva, seu último monumento ao conhecimento humano: Como falar dos livros que não lemos?, síntese de sua espantosa evolução criadora, sobre a qual, diga-se de passagem, atua o movimento inquieto e incessante de um pensamento sempre mais ousado e livre.

Não entrarei aqui nos meandros de sua extravagante tessitura filosófica, tampouco em suas notáveis e indefectíveis "dicas de não-leitura". Não, não é o momento de procedermos a um exame que necessitaria de uma cuidadosa e responsável esquadrinhadura, a qual, com efeito, só poderia ser executada à luz dos dias de primavera e na plenitude túmida de uma concentração de espírito solitária.

Afinal, quer ou não sigamos as pegadas de Pierre Bayard pelos caminhos densos desta linda reflexão acerca das "diferentes maneiras de não lermos os livros", às quais, aliás, ele dedicou toda a sua vida, é preciso que tenhamos em mente, acima de tudo, que este homem – para nós, poetas e críticos literários – foi, é, e sempre será um autêntico exemplar das virtudes epistemológicas mais estratosféricas do pensamento pós-contemporâneo.

Dessa forma, caro leitor, não sinta-se abandonado. Outros falarão, com exatidão e profundidade, de uma obra tão poderosa e tão esmerada quanto "Como falar dos livros que não lemos?" Outros, seguramente, ainda exporão quem foi o homem que a concebeu e a carregou até a Glória. Quanto a mim, não posso oferecer aqui senão uma simples homenagem a Pierre Bayard e a sua última obra-prima da sapiência civilizatória: algo como uma "flor perecível sobre uma tumba que permanecerá", como diria Paul Valéry.

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Chimia Geral Ipanema FM

Fabio Godoh

Manifestos

Poesia Totalitária

Nosso norte é o sul

Por que não banir o rock

Arquivo Chimia

Programas passados

Clara Crocodilo

Clara Crocodilo Show

Entrevistas

Lobão

Fabrício Carpinejar

Mário Pirata

Irton Marx

Juremir Machado da Silva

Di Martino

Abordagem Laxativa

Nenhuma Poesia

A vó do cu é a maionese

Mandalas

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